Itaperuna encerra 2025 como a 9ª cidade mais violenta do Brasil, aponta levantamento
O que por anos foi relatado pela população como sensação de insegurança agora aparece consolidado em dados oficiais. Itaperuna, no Noroeste Fluminense, encerrou o ano de 2025 como a 9ª cidade mais violenta do Brasil, segundo levantamento do portal Poder360, baseado em informações dos estados e do Distrito Federal compiladas pelo Ministério da Justiça.
O município é o único representante do estado do Rio de Janeiro entre as dez cidades com maior taxa de mortes violentas do país. O estudo considera apenas municípios com mais de 100 mil habitantes, critério adotado para evitar distorções estatísticas comuns em cidades de pequeno porte.
De acordo com o levantamento, Itaperuna registrou 54 mortes violentas em 2025, o que resulta em uma taxa de 50,3 mortes por 100 mil habitantes. Com esse índice, a cidade lidera negativamente o ranking estadual, superando inclusive regiões historicamente marcadas pela violência, como a capital e municípios da Baixada Fluminense.
Os dados englobam homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Mortes decorrentes de intervenção policial ficaram fora do cálculo, devido à ausência de padronização nacional dessas informações.
Embora cidades como Rio de Janeiro e Duque de Caxias apresentem números absolutos mais elevados de homicídios, o critério determinante do ranking é a taxa proporcional por 100 mil habitantes. Nesse indicador, Itaperuna viu seus índices dispararem. Dados do Atlas da Violência confirmam que o município alcançou o topo do ranking estadual de letalidade em 2025.
Interiorização da violência
Especialistas em segurança pública apontam que o avanço da criminalidade em Itaperuna está relacionado a um processo de interiorização da violência, sustentado por três fatores principais.
O primeiro deles é a guerra entre facções criminosas. A posição geográfica estratégica do município, próximo às divisas com Minas Gerais e Espírito Santo, transformou a cidade em rota para o escoamento de drogas. A disputa por pontos de venda é apontada como responsável por mais de 80% dos homicídios registrados no período.
Outro fator é a migração do crime organizado. O aumento da pressão policial na Região Metropolitana do Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense teria forçado lideranças criminosas a buscar refúgio e novas áreas de atuação no interior do estado.
Por fim, há o déficit de efetivo e estrutura de segurança. Apesar dos esforços do 29º Batalhão da Polícia Militar e da 143ª Delegacia de Polícia, especialistas avaliam que o aparato disponível não foi dimensionado para enfrentar o poder bélico e o nível de organização das facções que se instalaram na região.
Alerta para o interior fluminense
No cenário nacional, o ranking de letalidade é liderado por cidades do Nordeste, com municípios do Ceará e de Pernambuco ocupando as primeiras posições. Itaperuna aparece à frente de Jequié (BA) e atrás de cidades como Sobral (CE) e São Lourenço da Mata (PE).
A presença do município fluminense entre as cidades mais violentas do país acende um alerta vermelho para as políticas de segurança pública no interior do estado. O avanço do crime organizado em regiões de divisa, aliado à disputa territorial, é apontado como o principal fator para que Itaperuna apresente uma taxa de mortalidade proporcionalmente superior à da capital.
Mesmo com a ausência dos dados completos de dezembro de 2025 do estado de São Paulo, o levantamento indica que a inclusão dessas informações não deve alterar a posição de Itaperuna no ranking nacional de letalidade.
Fonte: Guia Muriaé, com informações da Rádio Natividade











