Idoso com alergia à dipirona morre em hospital de Juiz de Fora após aplicação do remédio mesmo com alerta
A família do aposentado Raimundo Evangelista de Almeida, de 69 anos, registrou um boletim de ocorrência e denuncia uma possível negligência médica no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Juiz de Fora. Segundo os familiares, o idoso recebeu uma dose intravenosa de dipirona, apesar de possuir alergia registrada ao medicamento, e morreu horas depois.
Documentos do prontuário médico obtidos pela família mostram que havia registro de intolerância à dipirona. No entanto, o mesmo prontuário também contém uma prescrição de “dipirona 1g” a cada seis horas. Em outro documento, denominado “Evolução de Enfermagem”, consta que o medicamento foi administrado por via endovenosa às 21h30 e que, logo após a aplicação, o paciente apresentou um mal súbito.
De acordo com a filha, Tainá Ribeiro, a família informou diversas vezes à equipe médica sobre a alergia do aposentado. Além do registro na ficha de atendimento, um aviso alertando sobre a restrição ao medicamento também estava afixado no leito do paciente.
Raimundo havia sido internado após ser atropelado no bairro Borboleta, no último dia 23. Segundo a família, ele apresentava boa recuperação, já se alimentava normalmente e permanecia internado apenas devido a dores na coluna e no tornozelo.
A filha relatou que o pai começou a passar mal logo após receber a medicação e foi encaminhado para a UTI. No dia seguinte, a família recebeu a notícia da morte. O atestado de óbito aponta, até o momento, causa indeterminada, aguardando resultados de exames complementares.
Ainda segundo os familiares, Raimundo convivia há anos com a alergia à dipirona, condição amplamente conhecida entre parentes e sempre informada durante atendimentos médicos. A filha recorda que, em uma ocasião anterior, ele apresentou reação mesmo após ingerir café em um copo que havia sido utilizado para tomar o medicamento.
A Prefeitura de Juiz de Fora informou que a direção do HPS abriu um procedimento administrativo para apurar o caso. A Polícia Civil de Minas Gerais também instaurou investigação, conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia Civil sob responsabilidade do delegado Luciano Vidal.
A família afirma que aguarda esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte e cobra rigor na apuração dos fatos.
Fonte: Guia Muriaé, com informações do G1











