Motorista drogado: em fase de testes, drogômetro pode passar a ser usado em blitzes
A Lei Seca completou 18 anos de vigência no Brasil consolidada como uma das principais políticas públicas voltadas à segurança no trânsito. Criada para combater a combinação entre álcool e direção, a legislação é apontada por especialistas como responsável por reduzir acidentes graves e transformar o comportamento de parte da população, embora ainda enfrente desafios relacionados à fiscalização e à conscientização.
Além do combate ao consumo de bebidas alcoólicas por motoristas, a legislação poderá ganhar um novo aliado tecnológico. Equipamentos conhecidos como “drogômetros”, capazes de identificar o uso de outras substâncias que comprometem a capacidade de dirigir, estão em fase de testes e poderão ser utilizados pelas forças de fiscalização após certificação do Inmetro e regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que, entre junho de 2008 e maio de 2026, foram registradas mais de 3,7 milhões de infrações relacionadas à Lei Seca. Desse total, cerca de 66% correspondem à recusa do motorista em realizar o teste do bafômetro, conduta considerada infração gravíssima desde 2016, sujeita à multa de R$ 2.934,70 e à suspensão do direito de dirigir.
Segundo especialistas, a ampliação da fiscalização e o aperfeiçoamento dos equipamentos contribuíram para o aumento das autuações ao longo dos anos. No entanto, eles alertam que ainda existem dificuldades para garantir a efetividade das punições, já que muitos condutores recorrem administrativamente para adiar ou evitar a aplicação das penalidades.
Outro desafio apontado é a necessidade de fortalecer as ações educativas. Atualmente, nove em cada dez pessoas autuadas são homens, com média de 39 anos de idade. As infrações se concentram principalmente nos fins de semana e em períodos festivos, como o Carnaval e o fim do ano.
No estado do Rio de Janeiro, programas educativos também passaram a incluir crianças e adolescentes em palestras sobre segurança viária. A expectativa é que a conscientização das novas gerações contribua para consolidar a rejeição social ao hábito de dirigir após o consumo de álcool.
Apesar dos avanços obtidos nas últimas quase duas décadas, especialistas defendem que a Lei Seca continue evoluindo, tanto com o uso de novas tecnologias quanto com o fortalecimento da fiscalização e das campanhas de conscientização, para reduzir ainda mais os índices de acidentes e preservar vidas nas estradas brasileiras.
Fonte: Guia Muriaé, com informações do Jornal O Globo











