El Niño: chances de ser ‘muito forte’ chegam a 81%

Caso a previsão se confirme, o episódio de 2026 poderá figurar entre os mais intensos desde o início dos registros modernos, em 1950. A nova estimativa representa uma mudança relevante em relação aos boletins anteriores: em maio, a NOAA ainda indicava a possibilidade de formação do fenômeno, mas sem consenso sobre a intensidade que ele poderia alcançar.
Fenômeno já está estabelecido
De acordo com a NOAA, o El Niño já está estabelecido e o aquecimento do Oceano Pacífico equatorial avançou nas últimas semanas. A agência também informou que há 97% de chance de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte, período que corresponde ao outono no Brasil.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e modifica os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.
No boletim mais recente, a NOAA apontou que uma ampla área do Pacífico central e leste já apresenta temperaturas mais de 1°C acima da média. O índice Niño-3.4, principal indicador utilizado para monitorar o fenômeno, alcançou +1,2°C na última medição semanal. Em maio, esse mesmo índice estava em +0,4°C, ainda dentro de um cenário de neutralidade.
Outras regiões do Pacífico também registraram avanço do aquecimento:
- Niño-4, mais a oeste: +0,5°C;
- Niño-1+2, próximo à costa da América do Sul: +2,7°C.
Além das temperaturas na superfície do mar, os cientistas acompanham o calor acumulado abaixo da água. Esse indicador também aumentou, impulsionado por uma onda Kelvin, movimento de água quente que se desloca pelo Pacífico e pode favorecer o fortalecimento do El Niño.
Atmosfera já responde ao aquecimento
A NOAA destacou que a atmosfera já apresenta sinais de resposta ao aquecimento do oceano. Nas últimas semanas, foram observadas mudanças nos ventos em diferentes níveis da atmosfera, aumento das chuvas sobre o Pacífico central e redução da formação de nuvens sobre a Indonésia.
Esses sinais indicam um acoplamento entre oceano e atmosfera, condição considerada essencial para que o El Niño alcance categorias mais intensas. Segundo os especialistas da agência americana, esse conjunto de fatores demonstra que o sistema oceano-atmosfera está em processo de fortalecimento.
Os modelos climáticos utilizados pela NOAA indicam que o fenômeno deve continuar ganhando intensidade ao longo de 2026.
Possíveis impactos no Brasil
Embora um El Niño muito forte não produza efeitos idênticos em todas as regiões do planeta, a NOAA ressalta que episódios intensos costumam aumentar o risco de eventos climáticos extremos.
No Brasil, o fenômeno geralmente está associado a:
- Mais chuva no Sul, elevando o risco de temporais, enchentes e outros eventos extremos;
- Tempo mais quente e seco em partes do Norte e Nordeste, especialmente em áreas já vulneráveis à estiagem.
O El Niño também influencia a temperatura média global. Em um planeta já aquecido pelas mudanças climáticas, episódios intensos podem aumentar a probabilidade de novos recordes de calor.
O episódio de 2023–2024, por exemplo, foi um dos mais intensos já registrados e contribuiu para uma sequência de marcas históricas de temperatura em escala global.
O que é o El Niño
O El Niño faz parte do El Niño-Oscilação Sul, um fenômeno climático natural que alterna três fases:
- El Niño: aquecimento das águas do Pacífico equatorial;
- La Niña: resfriamento dessas mesmas águas;
- Fase neutra: ausência de predominância de qualquer um dos dois padrões.
Esses ciclos ocorrem a cada poucos anos e podem durar vários meses. No entanto, cientistas destacam que, atualmente, essas variações naturais acontecem sobre uma base climática mais quente, o que torna ainda mais importante o monitoramento de seus efeitos sobre chuva, seca e temperatura nos próximos meses.
Fonte: Guia Muriaé











