Soroterapia: o que a ciência diz sobre os ‘soros da beleza’ que prometem mais energia e imunidade
Infusão de vitaminas e outros nutrientes pela veia tem indicações médicas bem definidas, mas não há evidências de que melhore imunidade, disposição ou promova "detox" em pessoas saudáveis.
A influenciadora Virginia Fonseca e o jogador Vinícius Júnior apareceram fazendo soroterapia nos Estados Unidos após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo. A confirmação veio da clínica responsável pela sessão de soroterapia, que compartilhou imagens do atendimento no Instagram, realizado em domicílio.
Popularizada por clínicas de estética e bem-estar, a soroterapia tem sido divulgada como uma alternativa para aumentar a disposição, fortalecer a imunidade, retardar o envelhecimento e melhorar a aparência da pele. No entanto, especialistas e entidades médicas afirmam que essas promessas não possuem respaldo científico quando o procedimento é realizado em pessoas saudáveis.
A soroterapia consiste na administração intravenosa de líquidos, vitaminas, minerais, medicamentos e outros nutrientes. Na prática médica, a técnica é indicada em situações específicas, como pacientes com doenças que dificultam a absorção de nutrientes, casos de desidratação grave ou deficiências nutricionais comprovadas por exames.
Segundo especialistas, fora desses cenários, não há evidências de que a aplicação pela corrente sanguínea ofereça benefícios superiores aos obtidos por meio da alimentação ou da suplementação oral, quando esta é necessária.
Riscos podem superar os benefícios
Além da falta de comprovação científica para uso estético, médicos alertam que o procedimento não é isento de riscos.
O excesso de vitaminas e minerais pode provocar sobrecarga nos rins e no fígado, além de causar alterações neurológicas, náuseas e outros efeitos adversos. Também existem riscos inerentes à aplicação intravenosa, como infecções, inflamação das veias e reações alérgicas.
Especialistas destacam ainda que a sensação de melhora relatada por alguns pacientes pode estar relacionada ao efeito placebo ou à presença de medicamentos adicionados ao soro, como corticoides ou estimulantes, e não necessariamente às vitaminas administradas.
Entidades médicas não recomendam uso estético
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que não há evidências científicas suficientes para comprovar que a soroterapia melhora a saúde, previne doenças ou aumenta o bem-estar de pessoas sem problemas de saúde.
O posicionamento é acompanhado por entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e a Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), que defendem que medicamentos e substâncias injetáveis sejam utilizados apenas quando houver indicação clínica baseada em evidências científicas.
O Conselho Federal de Biomedicina também esclareceu, em nota técnica, que a soroterapia não integra as competências profissionais da categoria.
Orientação é buscar avaliação médica
Diante da crescente oferta desse tipo de procedimento, especialistas recomendam que pacientes avaliem criticamente promessas de benefícios amplos e rápidos.
Antes de realizar qualquer infusão intravenosa, a orientação é verificar se existe indicação médica individualizada, confirmar se os produtos possuem registro sanitário e procurar profissionais habilitados.
Enquanto novas pesquisas continuam investigando possíveis aplicações da terapia intravenosa, o consenso entre os especialistas é que hábitos como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado e acompanhamento médico continuam sendo as estratégias mais eficazes e comprovadas para manter a saúde e prevenir doenças.
Fonte: Guia Muriaé, com informações do G1











