Supermercados Fluminense confirma recuperação judicial e diz que lojas continuarão funcionando normalmente
Rede varejista de Itaperuna afirma que medida busca reorganizar as finanças, preservar as operações e manter os empregos
O Supermercado Fluminense de Itaperuna Ltda., apontado como uma das maiores redes varejistas do Noroeste Fluminense, ingressou com um pedido de recuperação judicial no dia 4 de setembro de 2026. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (10), a empresa afirmou que todas as lojas continuarão funcionando normalmente e que as atividades habituais não sofrerão alterações.
Com mais de quatro décadas de atuação no setor de varejo alimentar, a companhia informou que a decisão foi tomada diante de dificuldades enfrentadas pelo segmento nos últimos anos, entre elas a elevação das taxas de juros, a instabilidade econômica e o aumento da concorrência.
A rede destacou ainda o compromisso com funcionários, fornecedores, parceiros e consumidores. Segundo a empresa, suas atividades estão relacionadas a cerca de 2.800 empregos diretos e mais de 10 mil famílias indiretamente ligadas à cadeia de operações.
O Cartão Fluminense, as promoções e o programa de fidelidade também seguem funcionando normalmente, conforme o comunicado.
Pedido envolve dívida de R$ 173,8 milhões
O processo foi distribuído em 4 de setembro à 1ª Vara Empresarial da Comarca da Capital, no Rio de Janeiro, com valor da causa de R$ 173.866.414,91, mesmo montante informado na relação de credores apresentada pela empresa.
No mesmo dia, às 17h55, a defesa solicitou que o processo fosse encaminhado para a Comarca de Itaperuna, onde está localizada a sede da empresa. A alegação é de que houve equívoco na distribuição. Até o último andamento mencionado nos autos, não havia decisão sobre o pedido.
Conforme os documentos apresentados, a rede possui 32 filiais, quase todas instaladas na região, de acordo com o contrato social consolidado arquivado em julho deste ano.
Empresa aponta aumento de custos e queda no poder de compra
Na petição, a companhia relaciona a crise financeira a uma combinação de fatores que afetaram o varejo alimentar. Entre eles estão a inflação dos alimentos, que teria reduzido o poder de compra dos consumidores, a pressão sobre os preços provocada pelo setor de atacarejo e a elevação dos custos de frete, energia elétrica e mão de obra.
Segundo a empresa, nem todos esses aumentos puderam ser repassados aos consumidores, contribuindo para a redução das margens.
Diante de déficits mensais, a rede afirma ter recorrido a operações como desconto de recebíveis, capital de giro e mútuos. Com a manutenção das taxas de juros em patamares elevados, os custos dessas alternativas teriam contribuído para o agravamento do endividamento.
Passivo ultrapassa R$ 256 milhões
Os demonstrativos financeiros de 2026 anexados ao processo apontam R$ 127,05 milhões em passivo circulante, incluindo aproximadamente R$ 50,75 milhões em obrigações com fornecedores e R$ 21,75 milhões relacionados a obrigações trabalhistas e previdenciárias.
O passivo não circulante foi informado em R$ 129,07 milhões, formado quase integralmente por empréstimos.
A soma dos passivos exigíveis chega, portanto, a aproximadamente R$ 256,1 milhões. Apenas entre janeiro e julho de 2026, as despesas financeiras da empresa alcançaram R$ 27,67 milhões.
Relação de credores reúne 312 nomes
A relação apresentada no processo reúne 312 credores, totalizando os R$ 173,86 milhões submetidos à recuperação judicial.
A maior parte, R$ 170,61 milhões, corresponde a 239 credores classificados como quirografários. Outros R$ 3,23 milhões são devidos a 66 micro e pequenas empresas, enquanto aproximadamente R$ 22,3 mil correspondem a sete credores trabalhistas.
Não foram relacionados credores com garantia real.
Entre os maiores credores aparecem Itaú, com R$ 19,34 milhões; Sicoob Sul do Espírito Santo, com R$ 11,93 milhões; Caixa Econômica Federal, com R$ 11,75 milhões; e Banco do Brasil, com R$ 8,51 milhões. A lista também inclui outras instituições financeiras e cooperativas, além da SRM Bank, com crédito informado de R$ 5 milhões.
Uma pesquisa de protestos realizada em 28 de agosto identificou 154 títulos distribuídos por nove cartórios, com valor total de aproximadamente R$ 2,53 milhões.
O que acontece após o pedido
O simples protocolo do pedido não significa, por si só, que a recuperação judicial tenha sido deferida. Entre as medidas solicitadas pela empresa estão o processamento da recuperação, a nomeação de administrador judicial, a suspensão de ações e execuções, a proteção contra retirada de bens considerados essenciais e o sigilo de informações fiscais dos sócios.
Até o último ato processual mencionado, esses pedidos ainda não haviam sido apreciados pela Justiça.
Caso o processamento seja deferido, deverá ser publicado edital com a relação de credores apresentada pela empresa. A partir dessa publicação, credores que não estiverem incluídos na lista ou que discordarem do valor ou da classificação de seus créditos terão 15 dias para apresentar habilitação ou divergência ao administrador judicial.
Posteriormente, após a divulgação da relação elaborada pelo administrador judicial, será aberto prazo de 10 dias para eventuais impugnações perante o juízo.
A recuperação judicial tem como objetivo permitir que a empresa reorganize suas obrigações financeiras e negocie com os credores, buscando preservar a atividade empresarial. Em sua manifestação, o Supermercado Fluminense afirmou que pretende utilizar o instrumento para encontrar uma solução equilibrada e manter um negócio que considera operacionalmente viável.
Fonte: Guia Muriaé, com informações da Rádio Natividade











