Concurso revela potencial dos cafés especiais de Miraí
Primeira edição do concurso de qualidade recebeu 20 amostras e mostrou que produtores do município já produzem cafés de excelência
Em Miraí, na Zona da Mata mineira, a cafeicultura iniciou uma nova etapa de olho na qualidade. Na primeira edição do Concurso de Cafés Especiais de Miraí, realizada pela Associação dos Agricultores e Artesãos de Miraí (Agriarte), com apoio do Sistema Faemg Senar, 20 amostras foram avaliadas e mais da metade alcançou pontuação superior a 80 pontos, índice que classifica o café como especial.
O resultado chamou a atenção de quem participou da avaliação. Responsável pela prova das amostras, o gerente do Sistema Faemg Senar em Viçosa e especialista em cafés, Marcos Reis, é Q-Grader e destaca os resultados positivos.
“Das 20 amostras, 11, ou seja, 55%, pontuaram acima de 80 pontos. Dessas, seis notas foram acima de 85 pontos. São cafés que poderiam disputar em qualquer concurso de qualidade com grandes regiões e cafés de renome”, destacou.
Para Marcos, o resultado mostrou o potencial dos produtores de Miraí. “É uma oportunidade de o município reconhecer uma vocação que ainda pode ser desenvolvida, inclusive preparando novas edições do concurso”.
Qualidade que já estava na propriedade
Segundo a organizadora do concurso, a agente de desenvolvimento rural da Agriarte, Zilda Marta Almeida, grande parte dos cafés premiados não foram produzidos com a intenção de participar de um concurso de cafés especiais.“Muitos produtores ainda estão conhecendo o conceito de café especial”, explicou.
A proposta do primeiro concurso foi então envolver os produtores. “Os orientamos a separarem o lote que consideravam o melhor da propriedade”. O resultado surpreendeu. “Tivemos notas maravilhosas de pessoas que secaram um café comum”, contou.
Para ela, o próximo passo é transformar esse potencial em conhecimento, padrão de produção e valorização comercial. O programa de Assistência Técnica é Gerencial – ATeG e os cursos do Sistema Faemg Senar será aliados nesse processo.
Do concurso para a gestão da propriedade
Entre os produtores que participaram está Nilton Oliveira, integrante do programa ATeG Café+Forte. Acostumado com a produção, ele se surpreendeu ao descobrir a pontuação alcançada. O café produzido por Nilton alcançou 84,5 pontos. Para ele, a experiência também mostrou que qualidade e gestão caminham juntas.
O produtor explicou que, embora tenha um perfil mais voltado para produtividade, saber da qualidade foi satisfatório. Ele salientou o papel fundamental do acompanhamento do ATeG na sua atividade. “O ATeG é uma ferramenta fantástica. Ensina o produtor a fazer gestão. Hoje, por exemplo, vou fazer minha colheita e sei quanto custa cada saca de café”.
Um novo olhar sobre o café de Miraí
A experiência também chamou a atenção de Regina Márcia Moreira Werneck. Para ela, o concurso foi uma oportunidade de conhecer melhor tanto o trabalho dos produtores quanto o potencial dos cafés da região.
Ela destacou as palestras oferecidas durante o evento e a possibilidade de aprender sobre uma área que ainda está começando a fazer parte do cotidiano de muitos agricultores.
“Percebemos que o nosso café tem muita qualidade, mas que precisamos nos dedicar ainda mais a algumas etapas da produção para alcançar classificações cada vez melhores.”
Regina também ressaltou a importância da aproximação entre conhecimento técnico e realidade local. “Foi um evento muito bem organizado, com muito aprendizado, troca de experiências e valorização dos produtores”, avaliou.
Fonte: FAEMG











