Radar com inteligência artificial aplicou 20 mil multas em 5 meses no Brasil
Motoristas que pretendem viajar no período de Carnaval devem redobrar a atenção nas estradas. Rodovias de estados como São Paulo e Minas Gerais já contam com radares equipados com Inteligência Artificial (IA), tecnologia capaz de identificar diversas infrações além do excesso de velocidade.
Os novos equipamentos utilizam câmeras em alta resolução (4K) e sensores integrados a sistemas de IA treinados para reconhecer padrões de comportamento irregular. Entre as infrações detectadas estão a ausência do cinto de segurança — inclusive no banco traseiro —, o uso de telefone celular ao volante, o transporte inadequado de crianças e a condução com partes do corpo para fora do veículo.
Fiscalização em São Paulo
Em São Paulo, a tecnologia está em operação em trechos da Rodovia Anhanguera, na região de Ribeirão Preto, e da Rodovia Governador Adhemar Pereira de Barros, entre Campinas e Mogi Mirim. As vias são administradas pelas concessionárias Arteris e Renovias, respectivamente.
Levantamento divulgado em janeiro pelo Fantástico, da TV Globo, apontou que, em um único ponto monitorado da Anhanguera, foram registradas mais de 20 mil infrações entre julho e novembro do ano passado. A falta do cinto de segurança liderou as ocorrências, com cerca de 17 mil registros, seguida pelo uso do celular ao volante, com aproximadamente 3 mil casos.
Na rodovia Campinas–Mogi, a tecnologia está ativa desde 2023 e passou por atualizações. Em 2025, foram identificados mais de 6 mil ocupantes sem cinto de segurança e cerca de 1,5 mil motoristas utilizando o celular enquanto dirigiam.
Segundo representantes das concessionárias, após a instalação dos radares com IA, houve redução de cerca de 30% nos acidentes nos trechos monitorados, resultado atribuído ao efeito preventivo da fiscalização eletrônica.
Expansão em Minas Gerais e outras regiões
Em Minas Gerais, a tecnologia passou a operar em trecho da BR-365, entre Uberlândia e Patrocínio. Em 2026, o sistema foi expandido para o Sul de Minas, alcançando rodovias como a MG-290, BR-459 e LMG-877.
Outros estados também adotaram câmeras inteligentes, seja em fase de testes ou em operação plena, com maior concentração nas regiões Sul e Sudeste, mas já com presença no Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Além das infrações de trânsito, alguns sistemas conseguem identificar veículos com registro de roubo ou documentação irregular.
Os radares são capazes de monitorar veículos em velocidades de até 300 km/h e operam continuamente, independentemente de condições de luminosidade.
Monitoramento urbano
Grandes centros urbanos também vêm incorporando a tecnologia. Na cidade de São Paulo, por exemplo, radares inteligentes fiscalizam não apenas a velocidade, mas também o uso de faixas exclusivas de ônibus, o manuseio de celular ao volante e o uso do cinto de segurança.
Outra inovação em testes no país é o radar de velocidade média, que calcula o tempo gasto pelo veículo entre dois pontos monitorados. Caso o percurso seja realizado em intervalo inferior ao permitido, o sistema identifica excesso de velocidade. A aplicação de multas, no entanto, ainda depende de regulamentação específica.
Multas e penalidades
Embora os equipamentos utilizem IA para identificar possíveis infrações, a autuação não é automática. As imagens registradas passam por análise de agentes responsáveis antes da emissão da notificação.
As penalidades seguem o previsto no Código de Trânsito Brasileiro. Deixar de usar o cinto de segurança é infração grave, com cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e multa de R$ 195,23. Quando se trata de criança transportada de forma irregular, a infração é gravíssima, resultando em sete pontos e multa de R$ 293,47.
O uso do celular ao volante também é considerado infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH, mesmo quando o veículo está parado no semáforo. Já dirigir com o braço para fora do veículo ou utilizar fones de ouvido durante a condução são infrações médias, com multa de R$ 130,16 e quatro pontos na carteira.
A tendência, segundo especialistas em mobilidade, é de ampliação do uso da tecnologia como instrumento de fiscalização e prevenção de acidentes nas rodovias brasileiras.
Fonte: Guia Muriaé, com informações do Auto Esporte











