Muriaeense integra equipe da USP responsável pelo primeiro porco clonado do Brasil

Avanço científico histórico pode ajudar a reduzir fila de transplantes no país

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Uma conquista inédita da Universidade de São Paulo colocou o Brasil em destaque no cenário científico internacional: a produção do primeiro porco clonado em território nacional. O feito ganha ainda mais relevância para Muriaé, já que a bióloga muriaeense Georgina Hastenreiter integra a equipe de embriologia responsável pelo avanço.

O animal nasceu saudável, pesando cerca de 2,5 kg, no laboratório do Instituto de Zootecnia, em Piracicaba (SP), marcando uma etapa essencial dentro das pesquisas voltadas ao xenotransplante — técnica que consiste na transferência de órgãos entre espécies diferentes, especialmente de suínos para humanos.

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Georgina faz parte de um grupo altamente especializado que atua no Instituto de Biociências da USP, ao lado de profissionais como Ligiane Leme, Débora Rodrigues e Tainah de Moraes. A equipe desempenha papel fundamental no processo de clonagem e desenvolvimento embrionário dos animais utilizados na pesquisa.

Segundo a bióloga, o xenotransplante é uma das principais apostas da medicina moderna para enfrentar a escassez global de órgãos. Atualmente, cerca de 48 mil brasileiros aguardam na fila por um transplante. Os porcos são considerados os doadores ideais por apresentarem órgãos semelhantes aos humanos, rápido crescimento e menor risco de transmissão de doenças.

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Um dos maiores desafios da técnica é a rejeição imediata do órgão pelo sistema imunológico humano. Para contornar esse problema, os cientistas utilizam engenharia genética, removendo genes suínos responsáveis pela rejeição e inserindo genes humanos que aumentam a compatibilidade.

O projeto integra o Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da USP, idealizado pelo professor Silvano Raia. A pesquisa também conta com a liderança do professor Ernesto Goulart, que destacou a complexidade do processo de clonagem, cuja taxa de sucesso internacional varia entre 1% e 5%.

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Para o coordenador do centro, Jorge Kalil, o avanço representa um passo decisivo, embora ainda haja desafios até que a técnica se torne rotina na medicina. Ele ressalta a importância de desenvolver essa tecnologia no Brasil, visando atender principalmente o Sistema Único de Saúde (SUS) e evitar custos elevados com importação de órgãos.

O próximo passo da pesquisa será a clonagem de porcos geneticamente modificados, permitindo o início de estudos pré-clínicos e, futuramente, testes em humanos. A participação de Georgina Hastenreiter nesse marco científico reforça o protagonismo de Muriaé em uma das áreas mais promissoras da medicina contemporânea.

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Fonte: Guia Muriaé

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