Festival Afro fortalece a educação antirracista nas escolas públicas de Muriaé
Projeto promove minicurso, rodas de conversa e oficinas que unem arte, identidade e cidadania
O Festival Afro chega à sua 9ª edição reafirmando seu papel como uma importante iniciativa cultural e educativa de Muriaé (MG). Nascido em 2016 dentro da rede estadual de educação, o projeto ultrapassou os limites da escola e hoje mobiliza juventude, educadores, artistas e movimentos sociais da cidade.
Selecionado em 3º lugar no Edital PNAB 11/2024 – Mostras e Festivais, da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG) com Marina Èṣùlékè como proponente, essa edição reforça a relevância e o impacto do projeto, que há quase uma década promove a educação antirracista, a valorização da cultura afro-brasileira e o protagonismo da juventude negra das escolas públicas de Muriaé.
Em 2025, o Festival Afro amplia suas ações envolvendo 5 escolas públicas da cidade E.M. Prof. Onéia Lopes Gouveia, E.M. Cândido Portinari, E.M. Prof. Stella Fideles, E. E. Eng.Orlando Flores e E. E. Prof. Orlando de Lima Faria com diversas atividades ao longo dos meses de outubro e novembro.
Como ação formativa, o projeto realizou o Minicurso de Práticas Antirracistas na Escola, voltado a professores e equipes pedagógicas das escolas. Ministrado pela prof. mestre Angela Morelli, a formação abordou temas como representatividade, racismo estrutural, cultura afro-brasileira e estratégias pedagógicas para um ambiente escolar inclusivo e diverso. O objetivo é fortalecer o papel da escola como espaço de diálogo, respeito e transformação social e pensar estratégias para a construção da Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) junto com as equipes.
Além do minicurso, o projeto está promovendo rodas de conversa com a prof. mestre Nathaly Souza e os estudantes das diferentes escolas. Os encontros discutem identidade, religiosidade afro-brasileira, ancestralidade e pertencimento, oferecendo um espaço seguro para que jovens e educadores troquem experiências e construam novas perspectivas sobre a vivência negra no ambiente escolar e na sociedade.
As oficinas de beleza negra também são um destaque do trabalho educativo do Festival. Na primeira semana de novembro estudantes participaram de atividades sobre turbantes, moda afro e maquiagem afro-brasileira, com os profissionais das artes Luna Rocha e João Victor Bonsembiante, vivenciando a estética no seu aspecto cultural e de afirmação identitária. As oficinas culminarão no Desfile de Moda Afro, um dos momentos mais simbólicos do evento final do projeto, que celebra a diversidade e a autoestima da juventude negra, valorizando a beleza plural presente nas escolas e na comunidade.
Já as oficinas de Hip Hop, desenvolvidas pela proponente Marina Èṣùlékè e o rapper Gabriel Carvalho levam a arte urbana para dentro das escolas, integrando batalhas de rima, graffiti e poesia como ferramentas pedagógicas. Por meio da música e da poesia, os jovens aprendem sobre respeito, empatia e consciência social, transformando o ritmo e a palavra em instrumentos de aprendizado e transformação.
Segundo a coordenadora pedagógica Angela Morelli, o trabalho educativo é o coração do Festival:
“Mais do que um evento, o Festival Afro é uma escola de cultura viva. As atividades educativas aproximam os jovens de suas raízes, fortalecem a autoestima, promovem a cultura negra e ajudam a construir uma sociedade baseada no respeito, na diversidade e na representatividade. É uma ação que transforma tanto quem ensina quanto quem aprende.”
O encerramento do IX Festival Afro será marcado por uma grande celebração no Mercado Municipal, reunindo as comunidades escolares e o público em geral em uma noite de arte, música e diversidade. O evento contará com apresentações de rap, samba, black music e dança, além da final das batalhas de rima e de slam e do concurso de talentos estudantis. Um dos momentos mais esperados é o Desfile de Moda Afro, resultado das oficinas realizadas nas escolas, que celebra a beleza e a identidade negra. Durante a festa, será entregue o Prêmio “Ojú Ogbón – Olhos de Sabedoria”, em reconhecimento a pessoas que se destacam na cultura negra e na luta antirracista local. O evento de culminância simboliza a união entre escola, comunidade e movimento cultural, encerrando o ciclo formativo com alegria, pertencimento e arte.
O IX Festival Afro segue unindo arte, educação e cidadania. A iniciativa tem transformado o cotidiano escolar, levando a rua para a escola e a escola para a rua e criando um espaço de reflexão e celebração da identidade negra, fortalecendo o diálogo entre escola e comunidade.
O evento de encerramento do IX FESTIVAL AFRO vai acontecer dia 06/12 no Mercado Municipal de Muriaé. Estão todos convidados para essa grande festa!










