Ex-secretária de Bem-Estar Animal é suspeita de matar cães após arrecadar doações para tratamento

Segundo as apurações, a ex-secretária recolhia cães de rua, divulgava os resgates em redes sociais para arrecadar doações via Pix e, posteriormente, sacrificava os animais. A investigação foi instaurada após denúncias de aumento expressivo no número de eutanásias: aproximadamente 240 cães teriam sido mortos em um período de oito meses, conforme informou a delegada Luciane Bertolletti, responsável pelo caso.
Parte das denúncias partiu de servidores da própria secretaria, que entregaram à polícia um dossiê contendo fotos e descrições de animais que desapareceram sem explicação. Muitos deles haviam sido resgatados das ruas ou entregues por famílias em situação de vulnerabilidade, na expectativa de adoção.
Durante as diligências, a polícia encontrou cães e gatos mortos armazenados em sacos plásticos dentro de um freezer na sede da secretaria. Também foi constatado que gatos eram mantidos em condições precárias dentro de um contêiner. Os corpos foram encaminhados para perícia, que deve determinar as causas das mortes.
Na residência da investigada, em Porto Alegre, os agentes apreenderam R$ 100 mil em espécie. Mandados também foram cumpridos em outros endereços ligados à ex-secretária, na casa de uma médica veterinária vinculada à pasta e em um imóvel de um homem suspeito de transportar os corpos dos animais.
Paula Lopes, que foi exonerada em 18 de agosto, responde pelos crimes de estelionato e maus-tratos a animais. Em nota, a Prefeitura de Canoas informou que colabora com as investigações e abriu procedimento interno para apurar os fatos.
Trajetória da ex-secretária
Conhecida nas redes sociais como defensora da causa animal, Paula ganhou visibilidade ao divulgar vídeos em que aparecia cuidando de cães e gatos doentes ou com necessidades especiais. Durante a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024, chegou a ser elogiada pela acolhida de animais resgatados, o que contribuiu para sua nomeação à frente da secretaria em janeiro deste ano.
Em manifestação nas redes sociais, a ex-secretária negou as acusações e afirmou que se trata de perseguição política:
— O meu objetivo sempre foi ajudar os animais. Isso incomoda quem usa essa pauta. Desde a minha entrada na secretaria, virou esse caos. Assim que eu puder, vou apresentar as verdades — declarou.
A investigação segue em andamento, e os laudos periciais devem auxiliar na definição da responsabilidade criminal pelos fatos.
Fonte: Guia Muriaé, com informações do Globo











