Morre em Itaperuna a mulher que teve os dedos decepados pela própria filha
Vítima estava internada desde episódio de violência doméstica no bairro Guaritá; caso pode ter tipificação alterada após óbito
Faleceu na manhã desta segunda-feira (02), no Hospital José do Avaí, em Itaperuna, a mulher de 57 anos vítima de agressões ocorridas no interior da residência onde morava, no bairro Guaritá. A vítima foi identificada como Maria Luiza Azevedo Hilário.
Ela estava internada desde o episódio de violência doméstica que resultou na amputação de oito dedos dos pés. Após o óbito, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) do município. A investigação permanece sob responsabilidade da 143ª Delegacia de Polícia.
Prisão em flagrante
O caso foi esclarecido após operação conduzida por policiais civis sob coordenação do delegado titular Carlos Augusto Guimarães, com apoio do 29º Batalhão de Polícia Militar. A ação resultou na prisão em flagrante de Alcirlene Hilario do Nascimento, filha da vítima, na última terça-feira (24).
Inicialmente, a suspeita foi autuada por lesão corporal gravíssima, diante da extensão dos ferimentos que comprometeram a capacidade locomotora da mãe. Com a morte da vítima, a tipificação penal poderá ser revista ao longo do processo.
Inconsistências e investigação
De acordo com a polícia, a investigação teve início após atendimento da ocorrência, quando agentes identificaram contradições nos relatos apresentados. Em um primeiro momento, a própria vítima teria afirmado que os ferimentos foram provocados por uma queda, hipótese descartada pelos investigadores diante da natureza das lesões.
Durante as diligências, os policiais constataram que a residência havia sido limpa antes da chegada da perícia, o que levantou suspeitas de tentativa de dificultar a apuração. A acusada também apresentou versão atribuindo o crime a uma terceira pessoa.
A mulher mencionada foi ouvida por agentes da 123ª Delegacia de Polícia, em Macaé, e negou qualquer envolvimento. Imagens de câmeras de segurança de imóveis vizinhos indicaram que nenhuma outra pessoa entrou ou saiu da casa no período apontado, reforçando a linha investigativa.
Avaliação de sanidade
Considerando informações sobre o histórico psicológico da suspeita, o delegado representou pela instauração de Incidente de Insanidade Mental, procedimento destinado a avaliar a capacidade de discernimento da acusada no momento dos fatos.
Alcirlene permanece presa e à disposição da Justiça. O inquérito segue em andamento para conclusão das circunstâncias e eventual reclassificação do crime em razão do falecimento da vítima.
Fonte: Guia Muriaé, com informações da Rádio Natividade











