WhatsApp lança “modo de alta segurança” para conter sequestros de conta
Golpes que começam com a solicitação de um código de seis dígitos enviado por SMS ou com uma ligação suspeita que termina na perda do acesso ao aplicativo se tornaram frequentes no Brasil. Diante do avanço dessas fraudes, o WhatsApp passou a disponibilizar um novo recurso de proteção, denominado “modo de alta segurança”, com o objetivo de dificultar invasões e reduzir casos de clonagem de contas.
A funcionalidade adiciona camadas extras de verificação ao processo de login. Mesmo que o criminoso consiga ter acesso ao número da vítima ou ao código de confirmação enviado por mensagem de texto, o sistema passa a exigir validações adicionais antes de permitir o uso da conta em outro aparelho. A proposta é tornar o ataque mais complexo e dar ao usuário mais tempo para identificar e interromper a tentativa de invasão.
De acordo com Ricardo Torres, gerente de Segurança da Informação da Universidade Tiradentes (Unit), o novo recurso não substitui as configurações tradicionais de privacidade, mas amplia a proteção contra acessos indevidos. Segundo ele, enquanto as opções convencionais controlam quem pode visualizar informações do perfil, o modo de alta segurança foi estruturado especificamente para mitigar clonagens e sequestros de conta, inclusive quando há comprometimento do número telefônico ou do SMS.
Camadas adicionais de proteção
Na prática, a ferramenta reúne mecanismos como exigência de PIN obrigatório, autenticação adicional em novos dispositivos, controle reforçado sobre sessões ativas no WhatsApp Web, validações extras ao registrar o número em outro celular e confirmações por biometria, quando disponíveis no aparelho.
Essas verificações passam a atuar de forma conjunta. O uso cotidiano do aplicativo — envio de mensagens, chamadas e participação em grupos — não sofre alterações. As exigências extras aparecem apenas em situações consideradas críticas, como a tentativa de registrar a conta em um novo dispositivo ou conectar a versão web.
Golpes mais comuns
O crescimento de fraudes baseadas em engenharia social motivou o reforço nas medidas de proteção. Criminosos frequentemente se passam por atendentes de empresas ou instituições conhecidas para convencer a vítima a compartilhar o código de verificação. Com o modo de alta segurança ativado, o simples acesso ao SMS deixa de ser suficiente para assumir a conta.
Outro golpe recorrente é o chamado SIM swap, no qual o número da vítima é transferido para outro chip junto à operadora. Com isso, o atacante tenta redefinir senhas e assumir contas vinculadas ao telefone. Ao exigir validações além do número, o novo recurso reduz o impacto desse tipo de fraude.
Sessões indevidas no navegador e acessos feitos a partir de aparelhos temporariamente desbloqueados também entram no escopo de riscos mitigados, já que o sistema reforça o controle sobre dispositivos conectados e amplia as confirmações necessárias.
Embora a empresa ainda não tenha divulgado dados específicos sobre a eficácia do recurso, especialistas apontam que práticas como autenticação em duas etapas e múltiplos fatores de verificação são amplamente utilizadas por plataformas como Telegram, Signal, Google e Apple, sendo reconhecidas como padrão de mercado para redução de invasões.
Relevância para empresas
No ambiente corporativo, a recomendação é reforçada. Empresas que utilizam o aplicativo como canal de atendimento ou negociação estão entre os principais alvos de sequestro de conta e envio de boletos falsos. Segundo especialistas em segurança digital, a ativação do modo de alta segurança pode reduzir riscos financeiros e danos à reputação institucional.
A configuração é feita diretamente no celular, na área de “Configurações”, em “Conta”, na seção relacionada à verificação em duas etapas ou segurança avançada — a nomenclatura pode variar conforme a versão do aplicativo e o sistema operacional. É necessário cadastrar um PIN de seis dígitos e, se possível, um e-mail de recuperação, além de habilitar biometria.
A liberação do recurso ocorre de forma gradual e pode depender da atualização mais recente do aplicativo.
Fonte: Guia Muriaé










