Câmara de Cataguases aprova criação de novos cargos comissionados sob forte protesto popular

Sessão relâmpago de 19 minutos e reforço policial marcam aprovação de projeto que aumentará em mais de R$ 2 milhões anuais os gastos da Casa Legislativa

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Em meio à maior mobilização popular do ano, a Câmara Municipal de Cataguases aprovou, nesta terça-feira (21), o polêmico Projeto de Lei Complementar nº 8/2025, que cria novos cargos comissionados no Legislativo local. A proposta, de autoria da Mesa Diretora e presidida por Vinicius Machado, o Vinícius da Taquara, foi aprovada em segunda e última votação por 11 votos a 2, em uma das sessões mais rápidas de 2025: apenas 19 minutos e seis segundos.

A votação ocorreu em ambiente de forte tensão e sob presença reforçada da Polícia Militar, convocada pela própria Mesa Diretora diante da expectativa de protestos. O plenário foi montado de forma a manter os vereadores de costas para o público, que lotava o local. Além disso, muitos parlamentares evitaram entrar pela entrada principal, utilizando acessos laterais e contornando o contato direto com os manifestantes.

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O projeto, aprovado sem qualquer debate durante a sessão, impõe à população um aumento estimado de mais de R$ 2 milhões anuais nas despesas com pessoal da Câmara. O impacto contrasta com as dificuldades enfrentadas pelo município em áreas prioritárias como saúde, educação e infraestrutura.

Apenas dois vereadores — Júnio Valentim (PDT) e Cristina Santos (PT) — votaram contra a proposta. Ricardo Dias (PV) e Felipe Ramos (Avante) estiveram ausentes da sessão.

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De acordo com uma enquete realizada pelo portal Mídia Mineira, 94,4% da população se posicionou contra o projeto, enquanto apenas 4,2% manifestaram apoio. O número evidencia a profunda desconexão entre a decisão dos parlamentares e o sentimento da maioria da comunidade.

Durante a sessão, a execução dos hinos nacional e municipal consumiu mais tempo do que a própria votação. Não houve discussão ou leitura de justificativas em plenário. A rapidez do processo foi amplamente criticada por ex-parlamentares presentes e lideranças locais.

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Entre os manifestantes estavam cinco ex-vereadores: Hercyl Neto, Maria Ângela Girardi, Rafael Moreira, Rogério Filho e Paulo Aritana. Maria Ângela resumiu o sentimento de indignação ao afirmar que a disposição dos vereadores de costas para o público simbolizava “o distanciamento em relação às demandas populares”.

Nas redes sociais, alguns vereadores tentaram justificar o voto favorável, alegando que o projeto buscava padronizar o número de assessores por gabinete. Atualmente, alguns parlamentares já contam com dois assessores. Segundo os críticos, no entanto, a medida ideal seria igualar por baixo, e não elevar ainda mais os custos da Câmara.

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Fonte: Guia Muriaé, com informações do Mídia Mineira

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