Juiz de Fora era base logística de grupo investigado por tráfico interestadual de drogas, aponta Ministério Público
Considerando os últimos 18 meses de atuação do grupo, MPMG estima que a organização tenha movimentado mais de R$ 70 milhões com a venda de drogas. A partir da base na Zona da Mata mineira, as drogas eram escoadas para traficantes de comunidades no Rio de Janeiro, Espírito Santo e para o mercado local da região
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou na manhã desta quarta-feira, 23 de setembro a operação “Déjà Vú” que busca desarticular organização criminosa responsável pelo tráfico interestadual de drogas em grande escala, que utilizava a cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata, como principal ponto de referência logístico e entreposto para o recebimento e a distribuição de drogas. Treze mandados de prisão, 30 de busca e apreensão e 26 de sequestro e bloqueio de bens estão sendo cumpridos nas cidades de Juiz de Fora, Barbacena, Piau e Belo Horizonte.
Os mandados de prisão foram expedidos pela Justiça contra os membros identificados do núcleo logístico e de comando da organização. Os de busca e apreensão estão sendo cumpridos em diversos endereços ligados aos investigados para a coleta de provas. Os demais visam o bloqueio e indisponibilidade de bens, imóveis, veículos, valores em contas bancárias, ativos no mercado financeiro e criptoativos até o limite de R$ 70 milhões.
A estimativa do Ministério Público, considerando os últimos 18 meses de atuação do grupo, é de que a organização tenha movimentado mais de R$ 70 milhões com a venda de drogas. As apurações demonstraram que o grupo utilizava imóveis de elevado padrão, como granjas e casas em condomínios fechados, para o recebimento, armazenamento e fracionamento das drogas.
Segundo o MPMG, durante o cumprimento das ordens judiciais, as equipes já realizaram a apreensão de diversos veículos, arma de fogo, imóveis e grande quantidade de droga. As diligências também resultaram na descoberta de um laboratório de refino de entorpecentes e de um bunker utilizado como depósito. Além do cumprimento dos mandados de prisão, foram realizados, até o momento, mais três prisões em flagrante.
Participam da operação policiais militares do 2º e do 27 Batalhão da Polícia Militar, do Grupo Especializado em Recobrimento (GER) da 4ª Cia Independente de Policiamento Especializado, da 4ª Base Regional de Aviação do Estado, policiais civis da Delegacia Regional de Juiz de Fora, policiais penais vinculados à Inteligência do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG), promotores de Justiça, servidores e agentes do Gaeco.
Início das investigações
A investigação se inicia a partir de troca de informações entre as agências de inteligência do Ministério Público e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em seguida, os levantamentos apontaram que a rede criminosa captava os entorpecentes no interior de São Paulo, no Paraná e na região metropolitana de Belo Horizonte. A partir da base na Zona da Mata mineira, as drogas eram escoadas para traficantes de comunidades no Rio de Janeiro, no Espírito Santo e para o mercado local da região.
Durante o período da investigação, com apoio das Polícias Militar e Rodoviária Federal, a atuação integrada com o MPMG impôs um prejuízo estimado em R$ 7 milhões à organização criminosa. Nesse curto período, foram documentados quatro eventos de tráfico que culminaram na apreensão de 195 kg de pasta base de cocaína e 476 kg de maconha.
Para o transporte, os criminosos utilizavam diversos veículos, incluindo caminhonetes modificadas com fundos falsos sob a carroceria, veículos que atuavam como escolta e até mesmo o suporte de empresas de guincho, que funcionavam como um resgate de emergência para recuperar as cargas ilícitas caso os veículos quebrassem nas rodovias.
A liderança da organização criminosa tentava se blindar utilizando identidades civis falsas para operar sem chamar a atenção das autoridades.
Todo o lucro obtido com o tráfico era submetido a um processo de lavagem de capitais, com a aquisição de veículos e imóveis em nome de “laranjas” e o uso de atividades comerciais aparentemente lícitas para dissimular a origem do dinheiro.
A partir das provas reunidas pelo Gaeco, o Poder Judiciário deferiu integralmente os pedidos cautelares formulados pelo MPMG, expedindo mandados que visam descapitalizar o grupo e garantir a responsabilização dos envolvidos.
Fonte: MPMG











