Locomotivas do trem turístico Rio-Minas estão sendo transportadas para finalização do projeto
Transporte marca novo avanço na implantação do maior trem turístico do país, que ligará cidades de Minas Gerais e Rio de Janeiro
As locomotivas, carros de passageiros e autos de linha que comporão o Trem Turístico Rio-Minas começaram a ser transportados nesta segunda-feira (20) para Três Rios (RJ). A cidade fluminense será o ponto de partida das viagens com passageiros, embora a data de início da operação ainda não tenha sido definida.
De acordo com a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Amigos do Trem, responsável pela operação do projeto, os equipamentos passarão por uma série de serviços em Três Rios, incluindo pintura, adesivação e manutenção completa.
“Ainda há etapas importantes a serem concluídas, como a inspeção do trecho ferroviário e a finalização dos trâmites junto à ANTT, que permitirá à Amigos do Trem se tornar oficialmente uma operadora ferroviária turística”, explicou Cyntia Nascimento, presidente da entidade. Ela agradeceu o apoio da FCA/VLI, responsável pelo transporte dos ativos, e das prefeituras de Recreio, Sapucaia e Três Rios, além da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) pelo acompanhamento técnico.
Projeto de dez anos começa a sair do papel
Idealizado há cerca de uma década, o Trem Rio-Minas deve se tornar o maior trem turístico do Brasil, com uma extensão prevista de 167 quilômetros, ligando cidades dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nesta primeira fase, o trajeto terá 37 quilômetros, entre Três Rios e Sapucaia (RJ), passando por Chiador (MG).
O projeto completo prevê atender oito municípios — Três Rios e Sapucaia (RJ); Leopoldina, Recreio, Volta Grande, Além Paraíba, Chiador e Cataguases (MG) — e beneficiar diretamente cerca de 300 mil pessoas, alcançando 12 milhões na área de influência do trecho. A capacidade estimada é de 873 turistas por viagem, somando mais de 250 mil passageiros por ano.
Parceria público-privada e investimento milionário
O avanço recente do projeto foi possível após a assinatura de um Contrato Operacional Específico (COE) entre a VLI, empresa controladora da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), e a Amigos do Trem, formalizado em dezembro do ano passado na sede do Ministério dos Transportes, em Brasília.
A VLI cedeu quatro locomotivas, além de uma oficina ferroviária em Recreio (RJ), pátios e linhas de manobra. A empresa também realizou a recuperação do trecho ferroviário, substituindo 5 mil dormentes e investindo R$ 40 milhões em manutenção e infraestrutura.
Enquanto a operação turística será administrada pela Amigos do Trem, a ANTT continua a analisar a autorização definitiva para o início das viagens.
O CEO da VLI, Fábio Marchiori, destacou que o modelo pode inspirar novos projetos de reaproveitamento ferroviário. “A devolução de trechos não operacionais prevista na proposta de renovação antecipada da Ferrovia Centro-Atlântica poderá originar novas possibilidades de operação similares”, afirmou.
Expectativa de impacto regional
Além do potencial turístico, o Trem Rio-Minas é visto como um impulsionador econômico e cultural para as cidades do interior mineiro e fluminense. O projeto deve fomentar o comércio local, gerar empregos e valorizar o patrimônio histórico da ferrovia, uma das mais antigas do país.
Com os equipamentos já a caminho de Três Rios, o sonho que levou dez anos para sair do papel se aproxima cada vez mais de se tornar realidade.
Fonte: Guia Muriaé, com informações do Diário do Rio











