Médica que sequestrou bebê é presa suspeita de participar do assassinato de farmacêutica para ficar com criança
Operação conjunta entre as polícias civis de Minas Gerais e Goiás cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão nesta quarta-feira (5), em Itumbiara (GO)
A Polícia Civil de Goiás, em apoio à Polícia Civil de Minas Gerais, prendeu nesta quarta-feira (5) a médica neurologista Cláudia Soares Alves, de 42 anos, suspeita de ser a mandante do assassinato de uma farmacêutica, ocorrido em 2020, na cidade de Uberlândia (MG). O crime teria sido motivado por ciúmes e desejo de ficar com a filha da vítima, filha do ex-marido da médica.
De acordo com o Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Itumbiara, as prisões ocorreram em cumprimento a mandados de prisão temporária e de busca e apreensão expedidos pela Justiça mineira. Além da médica, pai e filho vizinhos dela, apontados como coautores do crime, também foram presos. Segundo as investigações, o homicídio foi cometido com o uso de uma motocicleta com placa adulterada pertencente à dupla.
O crime
Em 2020, a farmacêutica foi surpreendida por um homem armado enquanto chegava ao trabalho em uma farmácia de Uberlândia. O atirador entregou-lhe uma carta e, em seguida, efetuou disparos que resultaram em sua morte no local.
A Polícia Civil apurou que Cláudia havia se casado com o ex-marido da vítima, mas o relacionamento durou apenas dois meses. O homem teria decidido se separar após perceber comportamentos instáveis da médica e o desejo dela de assumir a maternidade da filha menor do casal anterior. A vítima, por sua vez, proibiu que a menina tivesse contato com o pai quando ele estivesse acompanhado da médica, o que teria levado Cláudia a planejar o homicídio.
Durante os interrogatórios, tanto a médica quanto um dos vizinhos confessaram estar em Uberlândia no dia do crime, mas apresentaram um álibi posteriormente desmentido pela investigação.
Quarto infantil e boneca bebê reborn
Durante o cumprimento dos mandados em Itumbiara, os policiais encontraram na residência da médica um quarto infantil montado, com berço e enxoval de menina. No berço, havia uma boneca bebê reborn, o que chamou a atenção das equipes, já que a médica já havia sido presa no ano passado por sequestrar uma recém-nascida no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU).
Na ocasião, a Polícia Civil de Goiás constatou que o crime foi premeditado: no carro da suspeita foram encontrados um enxoval completo de menina e roupas novas, que ela alegou serem presente para a empregada doméstica — que, no entanto, estava grávida de um menino. O inquérito também revelou que Cláudia tentava adotar ilegalmente bebês, mentindo para familiares que estaria grávida e aliciando famílias vulneráveis para conseguir uma criança.
Perfil e histórico
Cláudia Soares Alves é neurologista e atuava como professora na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), além de atender em uma clínica particular em Itumbiara. Em suas redes sociais, publicava conteúdos sobre saúde mental e doenças neurológicas, além de mensagens de gratidão e sucesso profissional.
Em 2024, após o sequestro da recém-nascida, o advogado de Cláudia, Vladimir Rezende, afirmou que a médica sofre de transtorno afetivo bipolar e, na época do crime, estaria em crise psicótica, sem capacidade de discernimento sobre seus atos.
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que as investigações sobre o homicídio seguem em andamento, e os presos permanecem à disposição da Justiça.
Fonte: Guia Muriaé











