Polícia desmantela quadrilha que movimentou R$ 30 milhões com cobre furtado

Segundo apuração da PCMG, produto obtido ilegalmente em Minas era enviado para o Rio de Janeiro e a Bahia; 15 foram presos e R$ 30 milhões bloqueados.

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Quinze presos, R$ 30 milhões bloqueados e mais de 1 tonelada de fios de cobre e dez veículos apreendidos. Esse foi o resultado da segunda fase da operação Cyprium, deflagrada nesta quarta-feira (12/11) pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) em repressão a furto e receptação de fios de cobre. A ação mirou uma megarrede com atuação na Zona da Mata mineira e alcance no Rio de Janeiro e na Bahia. 

Os trabalhos foram realizados simultaneamente em oito cidades dos três estados, com empenho de equipes das respectivas polícias civis – PCMG, PCERJ e PCBA –, bem como da Guarda Municipal e do setor de Zoonoses da Prefeitura de Juiz de Fora (MG). Ao todo, além das prisões efetuadas, incluindo as dos principais alvos da investigação, foram cumpridos 38 mandados de busca e apreensão.

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Esquema criminoso

Conforme apurado pelo núcleo de inteligência policial da Delegacia Regional em Juiz de Fora e pela Delegacia em Visconde do Rio Branco, ambas unidades da PCMG, o esquema envolvia funcionários e ex-funcionários de empresas de telefonia e internet, que facilitavam os furtos e utilizavam uniformes e ordens de serviço falsas para disfarçar as ações criminosas.

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As investigações apontam que o grupo criminoso movimentou mais de R$ 30 milhões nos últimos anos, enviando semanalmente toneladas de fios de cobre furtados para o Rio de Janeiro e para a Bahia.

Investigações

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De acordo com o delegado Pedro Vasques, titular da Delegacia em Visconde do Rio Branco, as investigações começaram com casos de furtos de fios que, a princípio, pareciam pontuais. “Mas, à medida que avançamos, percebemos se tratar de algo muito mais complexo e estruturado, com divisão de tarefas e atuação recorrente”, explicou o delegado.

No curso das apurações, segundo Vasques, a equipe identificou que a Delegacia em Juiz de Fora também investigava os mesmos alvos. “A partir daí, unimos esforços e passamos a atuar de forma coordenada, o que culminou na operação de hoje, com resultados expressivos”, completou.

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Impacto

O delegado Márcio Rocha, responsável pelo setor de inteligência em Juiz de Fora, destacou o impacto dos crimes na região. “De 2024 para 2025, registramos cerca de 1,4 mil ocorrências de furto de cabos apenas na Zona da Mata. Essa quadrilha causava danos significativos às empresas e à população, que ficava sem comunicação e sem serviços essenciais”, destacou.

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Ainda conforme Márcio Rocha, a organização criminosa operava em várias frentes, com forte estrutura logística e financeira. “Por meio do trabalho integrado, conseguimos desarticular um grupo interestadual, responsável não apenas pelos furtos e receptação, mas também por lavagem de dinheiro”, afirmou.

Sobre a operação, o delegado pontuou que “foi um duro golpe em uma organização criminosa que vinha causando prejuízos milionários e desestruturando serviços essenciais”.

Primeira etapa

A primeira fase da Operação Cyprium foi deflagrada em 3 de setembro deste ano, em Juiz de Fora, e resultou na prisão em flagrante de um homem, de 29 anos, apontado como líder de um esquema de receptação qualificada de fios de cobre. Na ocasião, os investigadores apreenderam 1,5 tonelada de cobre em uma propriedade rural no bairro Torreões, além de três veículos, um deles com sinal de identificação adulterado.

O material, produto de furtos em diferentes pontos da cidade, era queimado às margens do Rio do Peixe, em área de preservação ambiental, para a separação da borracha e do metal — prática que gerava poluição e degradação ambiental. Segundo as investigações, o cobre extraído era posteriormente revendido a receptadores de maior poder econômico, que inseriram o produto no mercado formal, obtendo lucros ilícitos.

Próximos passos da Cyprium

O nome da operação – do latim, cobre – remete ao principal produto alvo do esquema criminoso. O material apreendido hoje será analisado, e a Polícia Civil agora avança para uma terceira fase, com foco na identificação dos beneficiários financeiros do esquema e de receptadores de grande porte, que davam aparência de legalidade ao material furtado.

Fonte: PCMG

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