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Coluna da Seliane Ventura – O luto na infância: crianças também compreendem a morte

Ao contrário do que se pensa as crianças também possuem compreensão de morte, não como os adultos, porque essa acontece de acordo com sua idade cronológica e suas experiências.

As pessoas adultas conseguem compreender de forma clara que a morte é um ato irreversível, é inevitável e chegará para todos. Para as crianças essa compreensão não é tão simples, vai se iniciar decorrente de experiências como dormir e acordar, aparecer e desaparecer (como no pique esconde). Não se encontrar em seu espaço de visão, de percepção significa não existir.

Quem já brincou de “put” com crianças pequenas já perceberam que para elas não é necessário esconder em algum lugar, basta fechar os olhinhos e sumiu.




Alguns autores acreditam ser essa a explicação para o choro das crianças para dormir.

De acordo com suas fases de desenvolvimento, elas irão amadurecer essa compreensão de morte.

W. C. Torres em seu livro “A criança diante da morte: desafios” apresenta três etapas que irei compartilhar com vocês:




* 1ª etapa (até 05 anos) – para as crianças nessa fase, a morte ainda não é irreversível, seria algo temporário. Seria como se a pessoa tivesse ido viajar e voltasse depois;
* 2ª etapa (de 05 anos até os 09 anos) – as crianças já entendem que é irreversível, mas acreditam poder evitá-la, como se nunca acontecesse com sua família, por exemplo;
* 3ª etapa (a partir dos 09 anos) – a partir dessa idade já conseguem entender que é inevitável, acontecerá pra todos.

Por isso é necessário que os adultos entendam que da mesma forma que elas compreendem a morte de acordo com sua idade, também vivenciam o luto. A diferença, é que nem sempre elas conseguirão expressar com palavras.




O luto passa pelas fases de revolta, ou seja, as inúmeras perguntas sem respostas, como o “por que aconteceu agora?”. A fase da tristeza, dor, até chegar à fase da saudade e das lembranças. É saudável viver todos os momentos do luto para que se consiga seguir.

As crianças também passam pelas fases e irão manifestar sua dor, seu sofrimento e tristeza, na maioria das vezes, através de mudanças de comportamento. Podem ficar agressivas, arredias, deprimidas, perder a fome, dificuldades para dormir, problemas escolares, entre outros.

O importante é que os adultos estejam atentos a essas mudanças e também respeitem o espaço de luto dos pequeninos. Não tenham medo de conversar e explicar para eles, isso é essencial para que as crianças se sintam acolhidas e amparadas em seus medos e sofrimentos, já que sua compreensão de morte está em desenvolvimento.

Porém, é importante ressaltar que se o luto permanecer por muito tempo, é aconselhável procurar ajuda médica e psicológica para que esse seja superado.

Uma dica: as crianças expressam muito os seus sentimentos através das brincadeiras

Autora: Seliane Ventura – Psicóloga CRP 04/40269 – Psicóloga Clínica e Organizacional, com extensão em Psicologia Hospitalar pela Fundação de Apoio ao Hospital Universitário de Juiz de Fora

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