Personalidades de Muriaé – Dante Bruno

Dante Bruno nasceu em Barão do Monte Alto em 17 de outubro de 1903. Era filho de Ângelo Bruno e Carmélia Bruno, imigrantes portugueses donos de comércio de tecidos e cereais naquela cidade. Impressionados com a grande inteligência e sagacidade do filho, resolvem manda-lo para estudar em Muriaé com apenas 13 anos. Em Muriaé estuda no Atheneu São Paulo mas tem também aulas particulares com Lydio Alerano Bandeira de Melo e com o Sr. Moura, gerente do Banco Hipotecário, que lhe dá as primeiras noções sobre contabilidade. Logo foi convidado para trabalhar na “escrita” do Sr. José Correa do Prado, grande comerciante de café.

Muda-se para o Rio de Janeiro e se forma no curso de Contabilidade. De volta a Muriaé retoma seu antigo emprego com o Sr. Correa do Prado e ali vai juntando dinheiro até conseguir montar sua firma de Contabilidade. Logo se casa com Jandira Couto Bruno com quem teve 6 filhos: Lia, Lea, Adail, Evaristo e os gêmeos Onurb e Onurd. Nesta época era contador de várias firmas entre elas a Agência Chevrolet e a Santos & Ligeiro Ltda (revendedora Ford).

Com a ajuda do Sr. Monteiro de Andrade, um padrinho de seu casamento que lhe empresta capital, inicia as atividades de negociante de café que vai torna-lo um dos homens mais ricos e influentes do município. Comprando o café já beneficiado pelos produtores rurais de Muriaé, Limeira, Belisário, Ervália, Miradouro, Santa Margarida, Matipó, Manhuaçú e Manhumirim, fazia o rebeneficiamento e cata do grão em seu armazém que ficava na região onde hoje se encontra as Casas Bahia. Fazia então o transporte deste café pela Estrada de Ferro até o Rio de Janeiro, de onde era exportado para os Estados Unidos e Europa.

É um dos criadores da Associação Comercial e, juntamente com Candinho de Castro, presidente da Associação Rural e o prefeito Geraldo Starling, cria a 1ª Exposição Agropecuária e Industrial de Muriaé. Nesta época Dante era presidente da Associação Comercial. Também em 1943 compra a Fazenda Boa Esperança, de 160 alqueires, e nela cria gado importado por ele da Argentina e Uruguai.

Com a riqueza que o café lhe proporcionava ia expandindo sua área de atuação. Foi proprietário da Agência Chevrolet e da Construtora Muriaé, com filial em Caratinga. Podia ser visto sempre pelas ruas da cidade dirigindo um esplêndido Buick, um dos carros mais luxuosos da época.

Em 1946 entrou para a política por influência de seu amigo Orlando Flores. Em 1950 é eleito prefeito de Muriaé para o período de 1951 a 1954, juntamente com o vice Telêmaco Pompei. Apesar do baixo orçamento da prefeitura, buscou fazer o máximo sem recorrer a empréstimos estaduais e federais. Herdou a prefeitura com uma dívida que tomava quase a metade do orçamento do primeiro ano de seu governo. Imprimiu um ritmo vertiginoso de trabalho jamais visto em administrações anteriores. A cidade tornou-se um canteiro de obras. Calçou diversas ruas, especialmente a Avenida Monteiro de Castro que na época era um lamaçal; levou água e esgoto para a Barra, Belisário, Patrocínio, Bom Jesus e Itamuri. Construiu os grupos escolares de Bom Jesus e Boa Família; Grupo Governador Bias Fortes e o Grupo Gonçalves Couto no Porto. Alargou e melhorou todas as estradas do município, construindo várias pontes como a do Divisório. Criou o Horto Florestal, abriu várias ruas como a Itamuri, Edmundo Germano Júlio Brandão e, a mais importante de todas, a Avenida JK. Reformou as praças Coronel Tibúrcio e São Paulo e reconstruiu a João Pinheiro quando lhe deu uma bela fonte luminosa, caramachões, bancos e jardins em estilo modernista. Trouxe a Escola Senai para Muriaé, a Acar (atual Emater), e uma Guarda Civil, entidade que só Belo Horizonte, Juiz de Fora e Uberaba possuíam na época. Reformou a antiga prefeitura para abrigar a Biblioteca Municipal. Nesta época estava em curso a demolição da cachoeira do Rosário com a finalidade de acabar com as constantes enchentes. Como a firma que fazia o serviço desistiu, sua firma Construtora Muriaé assumiu a tarefa que durou anos. Esta obra não acabou totalmente com as enchentes mas sem ela as inundações seriam muito piores. No final de seu mandato apoiou a candidatura do Dr. Evaristo de Carvalho, mas não obteve êxito sendo eleito o Dr. Antônio Canedo que faria também um excelente governo.

Ao fim do governo do Dr. Antônio, Dante Bruno coloca novamente seu nome para candidato a Prefeito e é eleito para o período de 1959 a 1962, com ampla maioria, juntamente com o Vice José Vieira do Carmo. Tinha ampla maioria também na Câmara de Vereadores (nos dois mandatos) e tinha assim mais facilidade para aprovar os projetos de sua autoria. Novamente a cidade se transforma em um canteiro de obras: calçamento nas ruas Itamuri, Júlio Brandão, Rockfeller, João de Souza, Padre Delfino, Prainha, etc. O Porto e o Bairro Santa Terezinha receberam atenção especial apesar de Dante não ter sido bem votado naqueles bairros, especialmente o Santa Terezinha que finalmente recebe água tratada e potável em suas residências. Adquiriu vários caminhões e coletores de lixo, melhorou as estradas e pontes rurais que sempre sofrem com as chuvas, inaugurou as praças Santo Antonio (atual Lisboa Júnior), São Paulo e construiu o coreto modernista, projetado por Braz LaGatta, na Praça João Pinheiro. Apoiou a criação da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Santa Marcelina, abriu o “campo de aviação”, conseguiu a vinda da televisão e dos telefones automáticos para a cidade. Na época para se fazer uma ligação interurbana era necessário esperar por 5 ou 6 horas e sempre via telefonista. Com a vinda do telefone automático, Muriaé finalmente entra na modernidade já disponível em várias cidade próximas. Alargou a Avenida Benedito Valadares que tinha um traçado irregular, com vários estrangulamentos. Ajudou na fundação do Ginásio José Eutrópio (atual CCEM). Promoveu uma grande arborização de nossas ruas. Doou terrenos públicos para a construção das sedes da Associação Rural e Associação Comercial, da Cadeia Pública, de casas populares para militares e para a instalação da fábrica de bebidas de Antônio Carneiro Garcia (quem não se lembra do Guaraná Vera Cruz?), numa atitude de estímulo à indústria que se tornaria comum, muito depois, com a criação de distritos industriais.

Dante Bruno, em seus dois períodos à frente da prefeitura municipal, deu provas de tirocínio administrativo, capacidade de trabalho e devotamento à causa pública, realizando obras de grande importância para o progresso do município. Sua passagem pela prefeitura ficou assinalada de maneira brilhante e duradoura.

No período de 1967 a 1970 volta novamente à vida pública, agora como vereador, quando norteou seus trabalhos para a defesa dos interesses da população e do progresso do município.

De 1973 a 1977 assume a presidência do Sindicato Rural. Quando ali chegou encontrou apenas um escritório de representação jurídica vindo a fazer dele um dos grandes sindicatos do estado com um grande patrimônio e um grande atendimento ao homem do campo com consultas médicas e odontológicas e convênios para internações. Esteve sempre à frente das Exposições Agropecuárias dando valor aos ruralistas, ao produtor, ao nosso comércio e o que eles produzem. Conseguiu em seu mandato que se regularizasse a desapropriação do terreno e a escritura do local onde hoje se fazem as Exposições.

Em 1976 recebe das mãos do então Prefeito Paulo Fraga o título de Cidadão Honorário.

Depois de uma vida inteira dedicada ao trabalho e à vida publica, Dante Bruno veio a falecer em primeiro de agosto de 1997 com 93 anos, ocasião em que a prefeitura decretaria luto oficial por 3 dias. Em 1997, no governo do Prefeito Carlos Fernando, seu nome foi dado a uma Avenida no Bairro Dornelas. Em 2007 seu nome é novamente lembrado para dar nome à nova sede da prefeitura municipal.

Fonte: João Carlos Vargas e Flávia Alves Junqueira / Memorial Municipal


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