Personalidades de Muriaé – Eudóxia Augusta Canêdo

Eudóxia Augusta Canêdo, nascida Eudóxia Augusta de Oliveira Penna, nasceu na cidade de Barbacena no dia 31 de agosto de 1839.

Era segunda esposa e sobrinha do ilustre e austero Desembargador Antônio Augusto da Silva Canêdo, pois, era filha de sua irmã Guilhermina Teodolina Augusta da Silva Canêdo e do Comendador João Fernandes de Oliveira Penna, ou seja, neta de Balbina Honória Severina Augusta Carneiro Leão e do Comendador e Conselheiro Municipal Manoel José da Silva Canêdo, pais do Desembargador.

A história da família Canêdo confunde-se com a própria história de Muriaé. Oriundos da cidade de Barbacena, aqui chegou o Desembargador Canêdo, que tendo contraído segundas núpcias em 12 de fevereiro de 1861 e sendo nomeado o primeiro Juiz de Direito desta cidade, naquela época denominada “Vila de São Paulo do Muriahé”, resolveu juntamente com sua esposa, Eudóxia Canêdo, fixar residência neste município, naquela época, recém criado. Passaram, então, a residir na zona urbana, posteriormente, foram adquirindo glebas de terras que foram anexadas e que se transformaram na fazenda “Barra Alegre”. A sede desta fazenda foi edificada pelo Desembargador Canêdo, que a concluiu no dia 17 de dezembro de 1878, data em que para lá se mudou com a família.

O casal teve seis filhos: Antônio Augusto, Agenor Augusto, Affonso Augusto, Christiano Augusto, Balbina Eudóxia e Guilhermina.

Eudóxia era uma mulher de fibra e muito determinada, tanto que na Barra Alegre reinava a verdadeira senhora da fazenda, que de tudo cuidava e administrava. Era a própria Eudóxia quem negociava seu café com diversos comissários, sendo de sua preferência a firma Evaristo de Oliveira & Souza com a qual manteve relação comercial por muitos anos.

Com a repentina morte do esposo no dia 25 de março de 1883, Eudóxia, mulher virtuosa e enérgica, passou a administrar toda a fazenda e a cuidar dos filhos, sempre com a ajuda de sua família, e, principalmente, de seu cunhado e primo, o Conselheiro Affonso Penna e do Dr. Alves Pequeno, advogado e também parente da família, residente em Muriaé na época.

Em junho de 1909, ocorreu o falecimento de Eudóxia Canêdo, aos 70 anos de idade, em Juiz de Fora, na residência de seu filho, Agenor Canêdo. Seu corpo foi sepultado na cidade de Barbacena. Sua morte causou comoção em toda sociedade muriaeense, pois, era muito conhecida como mãe e esposa exemplar.

Dona Eudóxia deixou um arquivo de cartas onde se pode perceber que era uma mulher de “fina educação”. Possuía uma letra bonita e uma redação elegante. E demonstra ter sido realmente uma excelente administradora dos negócios. Gostava de viajar e de um bom vinho do Porto. Pelas contas de costureiras e alfaiates encontradas no arquivo, deduz-se que também gostava de se vestir bem.

Alguns anos após sua morte, os herdeiros resolveram vender a fazenda “Barra Alegre” para o Francisco Vilela, residente em Juiz de Fora, que, posteriormente, revendeu-a para a família Carvalho, a quem pertence até hoje.

Seu filho, o Affonso Augusto Canêdo, grande comerciante e prefeito municipal de Muriaé no ano de 1931, ganhou muito dinheiro durante o “boom” do café, e, assim, adquiriu diversos imóveis além de construir a “Avenida Eudóxia Canêdo”, nome dado em homenagem a sua ilustre mãe, concluída no ano de 1925. Atualmente tombada pelo Patrimônio Histórico Municipal, ainda é um exemplar único no interior de Minas Gerais de vila operária feita para aluguel. É uma construção histórica que se encontra totalmente preservada mantendo, assim, o nome de Eudóxia Canêdo marcado na história muriaeense.

Fonte: João Carlos Vargas e Flávia Alves Junqueira / Memorial Municipal


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