Personalidades de Muriaé – Francisco Carlos Machado



Francisco Carlos Machado nasceu em 20 de abril de 1895 na zona rural da cidade de Varre-Sai, que na época era apenas um distrito do município de Natividade. Era filho de Carlos José Machado e de Ana Vieira de Menezes.

Desde a adolescência trabalhava com seus pais nas tarefas da lavoura e aos 19 anos de idade já era carpinteiro, o mecânico que construía as tulhas, consertava os moinhos e as máquinas de seus pais, parentes e vizinhos.

Com a idade de 22 anos, no dia 06 de outubro de 1917, casou-se na cidade de Tombos, com Maria Alves Soares. Deste casamento nasceram os filhos Francisco, Dináh, Rhodia, Silas, Ruthe, Eliezer, Abner, Leny e Nélia. A partir de seu casamento, passou a trabalhar por empreitada nas propriedades rurais localizadas nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, na montagem e reformas de máquinas, engenhos e demais equipamentos utilizados nas fazendas da região até 1936, quando mudou-se para a cidade de Carangola. Lá construiu uma máquina ambulante de beneficiar café, que montou sobre um caminhão “Chevrolet” 1928, com o qual trabalhou beneficiando o café dos proprietários rurais de toda aquela região.




Em 1941, transferiu-se com toda sua família para Muriaé e instalou, no Bairro da Barra, as oficinas onde passou a construir e remodelar máquinas para beneficiar café, arroz, milho, picadeira de cana, moinhos de fubá, rodas d’água, charretes, carroças de leite e outros artigos para uso na lavoura. Antes de começar qualquer destas obras, calculava, desenhava cada detalhe no projeto da máquina que iria construir. E construía e era bem sucedido.

Então, em 1945, por conseqüência da 2ª Guerra Mundial e das enormes dificuldades que nosso país enfrentava, teve que encerrar as atividades da sua tão promissora indústria. Em 1947, não se dando por vencido, e atendendo a um pedido de seu filho Francisco, alugou o barracão do Felismino Fialho, à Rua Monteiro de Castro, 95 e instalou uma pequena oficina, onde voltou a exercer suas atividades, no mesmo ramo que antes trabalhava. Mas esta oficina precisava de maior espaço, precisava de mais mão-de-obra, assim sendo, transferiu-se para o terreno (quintal) da casa onde morava com a família desde 1943, à Rua Monteiro de Castro, 48, construindo ali os grandes barracões onde seriam as oficinas da futura indústria, onde passou a fabricar as charretes que registrou com a marca “Charretes Tamoyo”, chegando a produzir, com a ajuda de uma equipe de operários selecionados, entre 240 e 300 unidades por mês.

Em março de 1956, comprou de Agnaldo Batista de Paula a casa onde morava e seus respectivos terrenos e ampliou sua indústria de charretes, que atingiu o auge de produção em 1963.

Foi, sem dúvida, o primeiro artigo produzido em Muriaé, vendido de Norte a Sul do país, o que contribuiu para gerar muitos empregos e para difundir e propagar o nome de nossa cidade. De toda parte do país vinham pessoas especialmente para comprar ou encomendar charretes para o seu próprio uso ou para revender. Participou muitas vezes da “Exposição Agropecuária e Industrial de Muriaé”, onde colocava enormes stands para mostrar suas máquinas, charretes, etc. Participou também sempre que solicitado, e algumas vezes de forma anônima, de todos os eventos que tiveram em mira o bem-estar e o progresso econômico-social de nossa comunidade.

Mas, a partir de 1964, o ciclo das charretes começou a enfraquecer, em vista principalmente do fortalecimento da indústria automobilística instalada em nosso país pelos governos Vargas e JK. Percebendo que a fabricação de charretes começava a atingir o seu final, transferiu para seus principais operários, como indenização dos seus tempos de serviço na firma, os barracões e terrenos que possuía na Rua Capitão Felisberto, sem qualquer ônus financeiro e fiscal, a fim de que pudessem continuar a produção dos artigos que desejassem.

Em 1958, Seu Machado doou sua casa e o terreno ao município para a abertura de uma rua que, pela Lei 1.371 de 1989, proposta pelo Vereador Antonio José Rodrigues Caldas Francisco, recebeu o nome de Rua Francisco Carlos Machado.

Francisco Carlos Machado, o “Seu Machado”, como era conhecido, “era um engenheiro sem nunca ter sido”. Não teve oportunidade, nem tempo para estudar, mas era engenheiro pelo dom que Deus lhe deu.

Faleceu aos 78 anos de idade, em 05 de novembro de 1973 nos deixando o exemplo do homem forte, destemido, trabalhador, batalhador e acima de tudo amoroso, preocupado com o próximo. É exemplo de amor a Muriaé, cidade que o acolheu.

Fonte: João Carlos Vargas e Flávia Alves Junqueira / Memorial Municipal

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