Personalidades de Muriaé – Francisco Miguel Dornelas

“Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jô 15,15). Assim foi pautada a vida de Francisco Miguel Dornelas – na fidelidade, no amor a Deus e a seus mandamentos.

Nasceu em 27 de junho de 1888 em Muriaé, filho de José Miguel Dornelas e Anna Rodrigues Dornelas. Dos 10 filhos do casal, Francisco foi o segundo a nascer.

Frequentou a escola se tornando aluno do professor Gonçalves Couto com quem firmou uma amizade tão forte que, mais tarde, levou o professor e sua digníssima esposa, a professora Dona Estefânia, a serem padrinhos de seu casamento.

Francisco Miguel Dornelas e todos os seus irmãos tinham aptidão para a música, levando-os a estudarem com o Maestro João de Souza. Fato curioso este, que vem ao encontro às palavras proferidas por um dos maiores Maestros do mundo, o italiano Arturo Toscanini que disse: “Não se vive sem se tocar um instrumento”. Os irmãos Dornelas eram apaixonados pela música e, mais tarde, foram membros da Banda do próprio Maestro João de Souza. O instrumento predileto de Francisco era o Barítono.

Profissionalizou-se oleiro trabalhando junto com o pai que possuía uma olaria na Rua da Várzea (hoje Rua Osvaldo Cruz).

Casou-se nesta cidade aos 26 anos de idade, no dia 11 de julho de 1914, com Maria Hastenreiter Alves, filha de José Hastenreiter e Joaquina Hastenreiter Alves. Com a esposa, que passou a chamar-se Maria Hastenreiter Dornelas, residiu nas imediações da Rua da Várzea.

Adquiriu o “Sítio dos Albinos”, em 1916, dando-lhe o nome de Córrego da Floresta, mais tarde, oficialmente batizado pela Prefeitura Municipal como Bairro Dornelas. Mudou-se para ali com a esposa e seus três filhos em 1919. Para ali também transferiu a olaria e construiu sua nova residência onde nasceram mais seis filhos, totalizando nove filhos: Maria José (Lica), Iracema, José Álvaro, Francisca (Quinha), Sebastiana (Taninha), Cecília (Cilinha), Guilherme Miguel, Marcelinha e Anna Maria.

Foi um pai e marido exemplar. Terno e generoso, estimado, amado e respeitado por toda a família.

Muriaé possuía apenas duas olarias e era preciso muito trabalho, responsabilidade e disposição para atender a demanda. Francisco Miguel Dornelas tinha pelo trabalho uma grande alegria. O progresso e notoriedade que a sua olaria alcançou vieram daí: da sua força, da sua disposição, do seu compromisso em servir com alegria. De sua olaria saíram os tijolos para a construção do Colégio Santa Marcelina e do prédio antigo do Hospital São Paulo. Muitas e grandes obras dessa cidade foram feitas com os tijolos fornecidos pela sua olaria.

Francisco Miguel Dornelas foi um homem de profunda religiosidade, sendo a caridade sua característica marcante. Jamais deixou um pedinte sem ajuda, oferecia pousada e alimentação aos andarilhos que passavam na sua propriedade. Tinha um coração de ouro. Sempre prestou serviços à Paróquia da Barra, servindo como Vicentino e grande festeiro nas rezas de Nossa Senhora e São Sebastião, sendo responsável junto com seus empregados na ornamentação das ruas onde passariam as procissões. Cultivou os valores religiosos e morais em seus filhos e netos, fazendo de sua residência um lar de acolhida animação, palco de grandes festas, importantes celebrações e muito aconchego, atraindo constantemente os parentes e os amigos, tradição esta cultivada até os dias de hoje por toda a família Dornelas.

Francisco Miguel Dornelas foi ao encontro do Pai no dia 05 de outubro de 1956, em plena primavera. Tinha o coração em Paz! No ano seguinte, pela Lei 0216/57, uma das principais ruas do Bairro Dornelas recebeu o seu nome.

O tempo não é capaz de destruir nossas recordações e lembranças, porque a memória persiste e persevera. E é disso que se constrói a História.

Fonte: João Carlos Vargas e Flávia Alves Junqueira / Memorial Municipal


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