Personalidades de Muriaé – Francisco Van Baars (Padre Xiko)

Nascido em Hengelo, na Holanda, no dia 05 de novembro de 1931, Francisco Van Baars era o oitavo filho de Henricus Van Baars e de Maria Mulder. Depois, outros dois filhos nasceram, completando dez, com apenas uma menina.

Sua infância foi tranquila até a morte da mãe em 1943, quando também caiu uma bomba no jardim da casa, deixando-a inabitável. Frans e seu irmão mais novo foram para o interior, na casa de um tio padre. O irmão não aguentou e voltou para casa depois de alguns meses. Frans ficou um ano e meio nessa casa e voltou para começar a estudar na escola de segundo grau, uma vez que ainda não existia no interior.

Logo depois da guerra, ele foi, em setembro de 1945, para o seminário que se encontrava na cidade de Tilburg, no sul da Holanda.

Em 1951, foi para a cidade de Berg, em Dal, fazer o noviciado, que representa o ano de introdução na vida religiosa. Depois, estudou Filosofia, em Brummen. Em 1954, estava em Stein, onde estudou Teologia durante quatro anos. Em 1958, foi ordenado padre. Fez mais dois anos de Teologia, o último na cidade de Arnhem, onde se preparou para vir ao Brasil.

Em fins de setembro de 1960, ele embarcou no navio Charles Telliers e chegou ao Brasil em 10 de outubro do mesmo ano. Ficou durante seis meses em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, na paróquia dos padres MSC. Em março de 1961, foi mandado para Niterói para substituir o Padre Roberto, que estava doente e teve que voltar para a Holanda. A partir desse tempo, ele passou a se chamar Francisco, e não mais Frans. Ficou em Niterói até 1964, e, em março daquele ano, foi transferido para Mimoso do Sul, onde o primeiro apelido foi dado, Chico ou Chiquinho, contudo, o padre não aceitou, uma vez que o Governador do Espírito Santo também era chamado de Chiquinho.

Em 1967, passando alguns meses em Morro do Coco, Campos dos Goytacazes, ele foi transferido para Brasília. Depois de alguns meses, escreveu uma carta para o superior, informando que não podia ficar lá. A carta impressionou tanto o superior, que ele foi de avião, uma raridade naquele tempo, para a região de Campos, em São Francisco de Paula. Naquele ano, o TFP fez uma campanha na cidade de Campos para expulsar os padres MSC da região. O bispo requereu-o de volta para a diocese, a Igreja do Terço, onde os padres tinham sua moradia. Com isso, ele foi transferido para Contagem, na Cidade Industrial. Lá, teve uma grande oportunidade e, durante um ano, fez uma reciclagem total, estudando Teologia, Sociologia, Psicologia, Antropologia e fazendo acompanhamento de Psicanálise. Ainda em Contagem, mudou novamente o nome e, devido a uma brincadeira feita pelo Frei Carlos Mesters, seu novo nome passou a ser Xiko, do mesmo jeito que o Frei escreveu.

Em 1972, foi novamente transferido para Niterói onde, no dia seguinte da sua chegada, um grupo de estudantes universitários pediu sua ajuda para a assessoria do grupo. Este trabalho foi tão importante que, depois de um tempo, mais de 500 estudantes de todas as universidades do Rio e de Niterói também participaram da atividade. Em 1980, foi solicitado pela Congregação dos MSC para dirigir o Seminário de Filosofia de Campinas, por onde permaneceu por um ano, até que a Congregação resolveu dividir a Filosofia em três setores: sul, em Curitiba; centro, em São Paulo; e, o outro no Rio de Janeiro, mais tarde, mudando o Seminário para Nova Iguaçu.

Em janeiro de 1985, foi transferido para Alcântara, em São Gonçalo, onde ficou um ano, voltando mais uma vez para Niterói. Em 1990, solicitou à Congregação sua transferência para Redenção do Sul, no Pará, e, em 1991, mudou-se. Ficou lá até janeiro de 1996, quando foi transferido para Muriaé, com previsão de permanecer no município por seis anos. De fato, ficou doze anos, e, em janeiro de 2008, voltou para o Santuário das Almas, Niterói – RJ, como ele mesmo disse, sem prazo.

Enfim, foram 50 anos de sacerdócio, 12 dedicados à Paróquia São Paulo. Muito querido pelos muriaeenses, Padre Xiko foi uma das principais personalidades religiosas da região. Aqui, trabalhou em diversas obras sociais, escreveu artigos para jornais e lançou um livro com suas crônicas. Além disso, esteve à frente da Diocese de Leopoldina, no período de transição dos bispos Dom Célio e Dom Dario.

Padre Xiko faleceu no dia 05 de julho de 2009, no Rio de Janeiro, devido a um câncer que atingiu a cabeça. Seu corpo foi velado e enterrado no Cemitério da Congregação, no Seminário do Sagrado Coração, em Juiz de Fora – MG.

Fonte: A Notícia / João Carlos Vargas e Flávia Alves Junqueira do Memorial Municipal


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