Personalidades de Muriaé – Henrique Hastenreiter

Henrique Hastenreiter nasceu no dia 22 de setembro de 1875. Era de origem modesta e descendente de família de imigrantes alemães. Casou-se com Eloyna Catta Preta, com quem teve uma numerosa família. Fundou a “Casa Hastenreiter” no ano de 1909. Foi com um pequeno capital que iniciou o seu comércio, uma modesta tipografia, que veio a se tornar, posteriormente, referência em toda a nossa região.

Iniciou com um pequeno jornal onde publicava os trabalhos realizados pela antiga Câmara Municipal. No seu jornal “Actualidade”, registrou os principais acontecimentos da cidade. Dois anos após a sua fundação, a Casa Hastenreiter adquiriu máquinas modernas, possuindo a primeira movida à força elétrica de Muriaé.

Com equipamentos mais modernos, produziu depois um novo jornal, o “Alto Muriahé”. Dedicou-se também à produção de café. Além da frequente clientela, a Casa Hastenreiter era parada obrigatória de muitos intelectuais, advogados, médicos, poetas, professores e artistas, que escreviam crônicas, artigos e poemas para o seu jornal. Foram editados, em suas oficinas, aproximadamente vinte jornais, de variadas características: políticos, religiosos, humorísticos, propaganda, etc.

Com o passar dos tempos, seu comércio foi se inovando. Além das seções de tipografia, era possível encontrar também, papelaria, livraria, remédios homeopáticos, produtos da flora medicinal, molduras, vidros, artigos religiosos e para presentes. Um produto exclusivo do estabelecimento era a “Ararutina” (alimento ideal para crianças e convalescentes fabricado pela própria família).

Henrique veio a falecer em 23 de fevereiro de 1930, com apenas cinquenta e quatro anos de idade. Em 1992, foi homenageado com o nome de uma rua no Bairro Cerâmica.

Os filhos de Henrique Hastenreiter, comemorando no dia 22 de setembro de 1975 o centenário de nascimento de seu saudoso pai, resolveram criar uma instituição cultural destinada à pesquisa e à divulgação científica e literária, cumprindo-lhe, especialmente, o levantamento da história de Muriaé.

Esse trabalho, até então, só fora realizado esparsamente, por sentimentalismo, estando à espera de alguém que o fizesse cientificamente. Eram então, na época, cento e sessenta anos de fatos que deveriam ser pesquisados – considerando-se que o “descobrimento” de MURIAÉ se deu em 1819 – constituindo, assim, tarefa que poderia ser executada em poucos anos, para ser, futuramente, estabelecida a verdadeira história de nossa terra natal.

Foi criada, então, a Fundação Henrique Hastenreiter, mantida pelos descendentes do Patrono, que reunia um vasto acervo de livros, jornais, objetos, documentos que contavam a história de Muriaé. Foram publicadas sete edições da Revista de Historiografia Muriaeense, hoje, largamente utilizadas para pesquisas sobre nossa história.

Após a sua morte, em 1983, os objetivos iniciais foram ainda, por alguns anos, cumpridos à risca pelos seus irmãos (até o começo dos anos noventa). Com a morte de outros irmãos, a Fundação teve suas atividades paralisadas e perdeu sua sede. Ficou provisoriamente no 3º andar da Caixa Econômica Federal, sob a responsabilidade da Loja Maçônica Labor, Força e Virtude, até que, em 1998, o acervo passou para a guarda da Prefeitura Municipal e subordinado à Fundarte – Fundação de Cultura e Artes de Muriaé – antiga Secretaria de Cultura. Desde, então, tratou-se tanto de resgatar os objetivos quanto de restaurar o acervo, informatizá-lo e torná-lo acessível à população. Em 2001, a Fundação passou a funcionar no prédio da Rodoviária com o nome de Memorial Municipal de Muriaé, hoje, funcionando no antigo prédio da prefeitura.

Fonte: João Carlos Vargas e Flávia Alves Junqueira / Memorial Municipal


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo