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Personalidades de Muriaé – Irmã Annina Bisegna

Nasceu em 18 de fevereiro de 1903, em Gioia Dei Marsi, na Itália, Irmã Annina Bisegna perdeu quase toda sua família em 1915, num terremoto que destruiu sua cidade natal. Sobreviveram Annina e uma irmã menor, tendo sido então levadas para Roma onde permaneceram até maio do mesmo ano. Daí, Annina foi levada para a casa de um tio em Foggia. Sua irmã, por motivo de saúde, teve que voltar a Roma.

Seu tio, tendo sido chamado para a guerra, deixou-a confiada às Irmãs Marcelinas de Foggia. Tinha ela treze anos. Nesse ambiente religioso passou sua adolescência, cercada do carinho e amor das Marcelinas. Embora criança, já se sentia pronta para a luta pela vida.




Terminado o quinto ano primário, conheceu a Madre Geral das Irmãs Marcelinas, que se interessou por ela. Sentindo na menina Annina muita vontade de estudar. E diante da facilidade com que o fazia, propôs-lhe a Madre a gratuidade de seu futuro curso Normal desde que ela se comprometesse a trabalhar durante os três anos posteriores ao curso, sem remuneração alguma, no mesmo Colégio. Para realizar o seu sonho, Annina teve que se preparar, em um ano, para os exames das três séries de que se compunha o curso complementar. Sua confiança em Deus e o seu denodado esforço fizeram-na superar os obstáculos, levando-a a sua primeira grande vitória na vida.

Eram anos de guerra e a Itália sofria muito. Aprovada nos exames, teve que dirigir-se a Milão para fazer o Normal. A viagem foi feita à noite e as cidades e estações por que passava estavam em plena escuridão. Chegou, enfim, à grande metrópole, uma das cidades italianas mais visitadas pelos inimigos. Foi Annina recebida pelas Irmãs Marcelinas de Milão que mantinham um pensionato para as moças que estudavam em escolas públicas.

Não lhe faltaram, porem, dificuldades. Exatamente neste ambiente de expectativa e insegurança bélicas é que sentiu-se atraída pela vida religiosa. Pouco depois de sua chegada, metade do pensionato foi transformado em hospital de guerra, o que obrigou as pensionistas a dormir nos corredores. A alimentação era racionada e o trabalho intensificado. Ao lado de suas atividades de estudante aplicada e de seus inúmeros trabalhos escolares, com a seqüência da guerra – a Primeira Grande Guerra – em pleno inverno, diariamente confeccionava um par de meias de lã, o que se tornou obrigatório, para ser enviado ao Front. Era um dever de patriotismo e de caridade.




Em 1920, aos 17 anos, Annina terminou o Normal. Lecionou três anos no colégio, conforme prometera, embora a Madre Geral a quem dera sua palavra, já estivesse morta. A promessa fora feita em segredo, e ela, mesmo sem que ninguém soubesse, cumpriu-a religiosamente. Terminado o prazo, solicitou seu ingresso na Congregação de Santa Marcelina. Órfã, e tendo vivos os tios, não pôde ser recebida sem uma particular autorização. Dirigiu-se então ao Papa Bento XV, que, respondendo a seu pedido, consentiu com a condição de que só aos vinte e um anos, porém, poderia colocar o véu de religiosa. Assim, a vinte e cinco de setembro de mil novecentos e vinte e cinco, foi designada para a Casa de Gênova, das Marcelinas, onde trabalhou por cinco anos.

Em 1931, aos 28 anos, entusiasmada pelas imensas possibilidades de fazer o bem, veio para o Brasil, com todo o seu entusiasmo de alguém realmente absorvida pelo grande ideal de servir. Em nosso País, esteve dez anos em São Paulo, cinco no Rio, dez em Botucatu. Em janeiro de mi1 novecentos e cinqüenta e cinco foi designada para Muriaé passando dez anos no Colégio Santa Marcelina, como Superiora da Comunidade. Nesta época fundou a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santa Marcelina, para a qual foi transferida em mil novecentos e sessenta e cinco, quatro anos após ter assumido o cargo de Diretora da nova escola. Neste mesmo ano, dez anos após sua chegada a nossa cidade, já se notabilizara por seu desprendimento e amor ao próximo, por seu trabalho e espírito de liderança, razão pela qual foi agraciada com o título de cidadã muriaeense, pela Câmara e pelo Executivo Municipal.




Em 1975, seus 50 anos de vida religiosa foi muito comemorado por alunos, professores e funcionários da Faculdade de Filosofia, à frente da qual Irmã Annina permaneceu em plena atividade até 1980, sendo, segundo os professores a alma e a vida daquela escola.

Em fevereiro de 1981, foi para a Casa das Irmãs Marcelinas, na cidade de Cambuquira, onde coordenou a Comunidade das Irmãs e ainda, com o auxílio dos Vicentinos, conseguiu levar a efeito a construção de várias casas para famílias carentes do Bairro Marimbeiro.

Após passar três anos naquela comunidade, já debilitada e com problemas de saúde, foi transferida para Itaquera, na cidade de São Paulo, onde a Congregação possui um hospital e uma casa de repouso. Nesta casa passou seus últimos anos, entregue à oração e na companhia de outras Irmãs também idosas ou convalescentes, sob o cuidado de enfermeiras dedicadas e num ambiente amigo e acolhedor.

Faleceu em 11 de fevereiro de 1986, após vários meses de coma profundo. A comunidade muriaeense já formulara o pedido de que seus restos mortais fossem sepultados em Muriaé. E assim foi feito: uma multidão de ex-alunos, professores e conhecidos acompanharam a Missa e o sepultamento no jazigo das Irmãs Marcelinas, onde repousa mais uma muriaeense de coração.

Fonte: João Carlos Vargas e Flávia Alves Junqueira / Memorial Municipal

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