Pedágio eletrônico “free flow” já soma milhões de multas e gera críticas no país
Sistema sem cancelas avança, mas enfrenta falhas, reclamações e risco de golpes
O modelo de pedágio eletrônico conhecido como free flow já acumula mais de 3 milhões de multas por evasão no Brasil desde sua implementação, em 2021. A proposta, que elimina praças físicas e permite a cobrança automática por pórticos, tem sido alvo de críticas por falhas operacionais, dificuldades de pagamento e cobranças indevidas.
Segundo dados recentes, somente na rodovia BR-101 (Rio-Santos), no Rio de Janeiro, foram registradas cerca de 1,4 milhão de autuações. No Rio Grande do Sul, o número ultrapassa 1,1 milhão.
A promessa inicial do sistema era garantir mais fluidez no trânsito, cobrança proporcional ao trecho percorrido e redução de emissões. No entanto, usuários relatam problemas frequentes, como demora no registro das passagens, dificuldade de acesso às plataformas das concessionárias e falta de comunicação eficiente.
Atualmente, o não pagamento da tarifa em até 30 dias é considerado infração grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH. Críticos apontam que a medida transforma uma pendência financeira em penalidade de trânsito, especialmente em casos em que o motorista sequer foi informado da cobrança.
Outro ponto de reclamação é a ausência de um sistema nacional integrado. Motoristas que trafegam por diferentes rodovias precisam consultar diversos sites ou aplicativos para verificar débitos, o que aumenta o risco de atrasos e multas. A situação tem sido apelidada por usuários de “pedágio invisível”.
Além disso, há relatos de falhas como cobranças duplicadas, tarifas aplicadas a veículos isentos e registros feitos com atraso — às vezes semanas ou meses depois da passagem.
A complexidade do modelo também abriu espaço para fraudes. A Agência Nacional de Transportes Terrestres alerta para a existência de sites falsos que simulam páginas oficiais de pagamento, induzindo motoristas a realizar transferências indevidas, principalmente via Pix.
Apesar das críticas, o sistema ainda é defendido por especialistas e concessionárias, que destacam vantagens como redução de filas, menor tempo de viagem e benefícios ambientais. A ANTT afirma que tem reforçado a fiscalização e que eventuais irregularidades serão apuradas.
Para evitar problemas, a orientação é que motoristas verifiquem débitos apenas em canais oficiais das concessionárias e evitem clicar em links suspeitos ou fornecer dados pessoais fora de plataformas confiáveis.
Fonte: Guia Muriaé, com informações do Jornal O Globo











