Muriaé perde um dos grandes nomes da cultura da cidade

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Hoje prestamos uma homenagem ao cineasta muriaeense, Carlos Scalla, pioneiro da sétima arte em Muriaé, que nos deixou nesta terça-feira (29) aos 69 anos. Sua paixão pelo cinema foi sua expressão mais ativa ao longo de toda a vida.

Carlos Scalla produziu e dirigiu diversos longas metragens, curtas e documentários, deixando um legado marcante no cenário audiovisual. Sua capacidade de emocionar e provocar reflexões através do cinema o tornou uma figura poderosa, capaz de impactar as pessoas de maneira profunda.

Sua contribuição para o cinema não se limitou à criação cinematográfica. Carlos Scalla também compartilhou seu conhecimento através de palestras para cineastas e estudantes de cinema em vários estados brasileiros. Além disso, seu acervo, que abrange câmeras, livros, ensaios, fotos e muito mais, é um verdadeiro museu do audiovisual de grande relevância.

A Escola Municipal de Audiovisual da Fundarte, criada em 2011, recebeu o nome de “Escola Municipal de Audiovisual Carlos Scalla” como uma homenagem em vida, reconhecendo a importância do seu trabalho para a comunidade.

Neste momento difícil, a Fundação de Cultura e Artes de Muriaé se solidariza com os familiares e amigos de Carlos Scalla. Sua contribuição para a cultura e o cinema será sempre lembrada e valorizada. Obrigado, Carlos Scalla, por sua dedicação e legado deixados para todos nós. Descanse em paz.

Biografia de Carlos Scalla, escrita por Marco Aurélio Machado

Nascido em vinte e um de janeiro de mil novecentos e cinquenta e quatro, no bairro Dornelas, na cidade de Muriaé, Zona da Mata mineira, o cineasta Carlos Roberto Scalla Pereira, mais conhecido como Carlos Scalla, despertou e demonstrou, muito cedo, sua paixão pelo cinema.

Sua jornada estudantil iniciou-se na Escola Estadual Desembargador Canêdo. Em seguida passou por diversas outras, como a Escola Estadual Engenheiro Orlando Flores, o Ginásio Santo Antônio, o Colégio São Paulo e aEscola Estadual Professor Orlando de Lima Faria, onde concluiu o 2º Grau (hoje, Ensino Médio).

Carlos Scalla dedicou sua vida inteira à sétima arte, influenciado pelas produções norte-americanas de bang-bang. Com apenas quatorze anos de idade, comprou, dividido em seis pagamentos, um conjunto americano Keystone 16 mm, composto por uma filmadora e um projetor. Este foi o primeiro passo para possibilitar a materialização do sonho do jovem garoto, realizando, dessa forma, o seu primeiro curta-metragem, “Lei Sangrenta”, no ano de 1968, em preto e branco.

Por não haver a mínima estrutura para que este projeto se concretizasse, formou seu primeiro elenco com amigos, parentes e vizinhos, que colaboraram, ainda, na participação artística e financeira da produção.

O cenário escolhido constituiu-se das matas próximas ao bairro onde residia, como rios e morros, e, por esse motivo, tanto no roteiro quanto nas filmagens, a natureza sempre se fazia presente contracenando com o protagonista.

Empolgado com a primeira produção, que além de dirigir foi ator coadjuvante, e com seu sonho juvenil se tornando realidade, Carlos Scalla produziu no ano seguinte outro filme, intitulado “O Homem da Selva”. Porém, ainda com poucos recursos, o cineasta improvisou e retratou nessa história sua preocupação com a natureza, cujo enredo se baseava em um homem, criado na selva, que ajudava um índio a proteger suas reservas da destruição dos brancos.

Já no ano de 1970, aquele garoto já mais experiente, com dezesseis anos, produziu mais dois filmes, no mesmo estilo dos anteriores, ou seja, em 16 mm e em preto e branco, os quais receberam o título de “O Assalto Frustrado” e “O Vingador Mascarado”. Estas produções foram realizadas através da Scalla Filmes.

Em 1974, Carlos Scalla associou-se ao amigo Sílvio Gomes, pianista do Loid brasileiro, fundando a Muriaé Filmes Ltda.

Este empreendimento, que visava acompanhar a evolução do tempo, proporcionou a Carlos Scalla uma vasta experiência em produções cinematográficas. Realizou, através do Jornal Cine-Fatos, centenas de documentários, os quais foram exibidos por cerca de dez anos no Cine Vila Rica em Muriaé e em cinemas de cidades vizinhas.

Carlos Scalla viajava semanalmente para o Rio de Janeiro, onde revelava seus filmes, criando um ciclo de amizade com grandes atores e diretores consagrados, tais como: Augusto Cézar Vannuci, Wilton Franco, Paulo Porto, Olney Cazarré, Antônio Fagundes, Sandra Bréa, José Augusto Branco, Ângela Leal, entre outros.

Em 1979, o cineasta conheceu um dos maiores nomes do cinema brasileiro, o mineiro Humberto Mauro, com quem conviveu na intimidade, tendo a oportunidade de conhecer detalhes da vida profissional e participando de diversas passagens importantes do amigo. O contato frequente entre eles só foi rompido com o falecimento de Humberto.

Em 1987, quando as produções cinematográficas nacionais entraram em decadência, consequentemente, contra vontade própria, Carlos Scalla foi aos poucos sendo obrigado a paralisar as atividades da Muriaé Filmes. Mas seu fascínio pela imagem, sua perseverança e o surgimento de novas mídias o ajudaram a produzir, ao longo destes difíceis anos, documentários, filmes institucionais,…

Fonte: Fundarte

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