Ex-prefeito de Simão Pereira é condenado em 1ª instância por estupro de vulnerável por estupro de vulnerável
O ex-prefeito de Simão Pereira, na Zona da Mata de Minas Gerais, José Luis Campos Senra, foi condenado em primeira instância a 20 anos de prisão, em regime fechado, por estupro de vulnerável. De acordo com a sentença, os crimes teriam ocorrido entre 2010 e 2013, período em que a vítima tinha entre 9 e 13 anos.
A condenação foi proferida pelo juiz Raul Fernando de Oliveira Rodrigues. Apesar da pena estabelecida, José Luis poderá recorrer em liberdade.
Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público, os abusos começaram quando a vítima passou a frequentar uma loja de materiais de construção pertencente ao então acusado para assistir a jogos da Copa do Mundo. Na época, José Luis era casado com a tia da menina, que mantinha um restaurante nas proximidades do estabelecimento.
Conforme o relato apresentado no processo, os episódios inicialmente envolveriam toques nas pernas e nas partes íntimas e, posteriormente, teriam evoluído para atos de natureza sexual com conjunção carnal. A vítima afirmou que os abusos aconteciam principalmente aos domingos, quando o movimento na loja era menor.
Outros relatos foram apresentados no processo
Além do depoimento da vítima, o Ministério Público utilizou declarações de testemunhas durante a ação penal.
Uma prima da vítima afirmou ter sofrido abuso sexual aos 19 anos, quando trabalhava na loja do ex-prefeito. Segundo o relato, José Luis teria oferecido dinheiro em troca de relações sexuais e a mantido trancada em uma sala em determinada ocasião.
A vítima principal contou o que teria ocorrido inicialmente a amigos, em 2018, e posteriormente aos pais, em 2021. A denúncia foi formalizada quando ela tinha 21 anos.
Os pais relataram que perceberam mudanças no comportamento da filha durante a adolescência e afirmaram que ela procurava manter distância do ex-prefeito. Segundo eles, a família inicialmente interpretava o comportamento como uma reação à suposta inconveniência de José Luis.
Ainda conforme os depoimentos, a mulher passou a apresentar consequências emocionais e continua realizando acompanhamento psicológico.
Defesa contesta condenação
Em nota, a defesa de José Luis Campos Senra afirmou que está recorrendo da sentença e apontou supostos vícios no processo.
Os advogados também questionaram o indeferimento de um pedido para realização de depoimento especial, acompanhado de estudos psicossociais ou escuta especializada. Segundo a defesa, a medida seria necessária para auxiliar na apuração dos fatos.
Os representantes sustentam ainda que a condenação ocorreu sem que, na visão da defesa, fossem produzidos os estudos técnicos solicitados. Por isso, a sentença de primeira instância foi objeto de recurso, com pedido para que sejam esclarecidos pontos considerados omissos.
A defesa também criticou a divulgação de informações relacionadas ao processo, que tramita sob segredo de Justiça, e informou que pretende solicitar investigação para apurar como documentos sigilosos teriam se tornado públicos.
Os advogados ressaltaram que todos os argumentos e provas considerados pertinentes estão sendo apresentados no processo e afirmaram confiar na atuação das autoridades e do Poder Judiciário.
Trajetória política
José Luis Campos Senra iniciou sua trajetória eleitoral como vice-prefeito de Simão Pereira em 2016, quando era filiado ao MDB.
Em 2020, assumiu a Prefeitura após o então prefeito Antônio José Gonçalves da Silva perder o mandato em decorrência de uma condenação por improbidade administrativa.
Ainda naquele ano, José Luis disputou a eleição para permanecer no cargo, desta vez pelo Avante, mas terminou a disputa na terceira colocação.
A condenação divulgada é de primeira instância e, conforme informado pela defesa, está sendo contestada judicialmente. Portanto, não há trânsito em julgado da decisão.
Fonte: Guia Muriaé, com informações da Folha JF











