Grávida com Covid-19 e bebê morrem 11 dias após internação em Viçosa

O estado de Minas Gerais registrou no mês de março quase o mesmo número de mortes de grávidas por Covid de todo o ano passado, conforme boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).

No dia 26 de março, uma gestante morreu em Viçosa, na Zona da Mata. Kely Rodrigues, de 30 anos, educadora física, graduada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), e não possuía comorbidades. Ela estava grávida de sete meses e a bebê também morreu.

Kelly e o marido tiveram sintomas leves do covid-19 e procuraram um médico. O primeiro profissional recomendou que voltassem para casa e não os diagnosticou a doença.

Na segunda consulta, com outro profissional, Kely fez um teste rápido que acusou resultado negativo e a confirmação para a doença só chegou dias depois, quando seu quadro havia se agravado e ela estava internada no Hospital São Sebastião, em Viçosa.

A unidade de saúde tentou encontrar numa vaga de UTI para Kelly em outros hospitais da cidae, mas sem sucesso. Ela chegou a receber suporte em um leito com cuidados intensivos, mas morreu menos de duas horas depois de ser transferida para o leito de UTI da instituição, após 11 dias de dar entrada no hospital.

– Nós combinávamos muito, éramos muito carinhosos um com o outro, era beijo para dormir e para acordar. A nossa filha já tinha todo o carinho também, eu conversava com ela, ela mexia. Foi uma coisa indescritível. A nossa vida estava encaminhada, uma obra de Deus mesmo, uma coisa muito boa que estava acontecendo. Achei que fôssemos ficar juntos para sempre – disse Raniel Arruda. marido de Kelly.

Nota do hospital

A gestante deu entrada no hospital no dia 15/03/2021 já com dificuldade respiratória. No dia 19/03/2021, com o agravamento de seu quadro respiratório tomografia computadorizada de tórax revelando 75% de comprometimento pulmonar, ela foi transferida para um setor que dispõe de todos os recursos normalmente oferecidos em UTI.

A gestante foi entubada e mantida em ventilação mecânica desde o dia 19/03/2021, sempre com acompanhamento médico, além de cuidados contínuos da equipe de enfermagem. Mesmo sem disponibilidade de vaga em CTI, o hospital prestou todo suporte.

No dia 25/03/2021, com abertura de um leito de CTI Covid, ela foi transferida, mas sofreu um agravamento do quadro, com parada cardiorrespiratória, que não foi possível reverter com as manobras de ressuscitação cardiopulmonar, culminando em sua morte e seu bebê na madrugada do dia 26/03/2021, menos de duas horas após sua transferência para o CTI Covid.

Médicos alertam para risco de aumento de partos prematuros durante pandemia

O Brasil é considerado um dos países onde houve mais mortes de grávidas e puérperas por Covid-19 no mundo. O país também enfrenta o risco do aumento de partos prematuros durante a pandemia, segundo especialistas. Obstetras ainda alertam para os riscos de uma infecção durante a gravidez.

– Uma vez que a grávida esteja com Covid-19, ela tem de 17% a 20% de chance de ter um parto prematuro a mais do que as gestantes sem a doença, é o que estamos vendo na prática, e uma chance 30% maior de hospitalização. A chance de ela precisar de UTI e ventilação mecânica também crescem – afirma a diretora da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), Inessa Bonomi, que atua no hospital Júlia Kubitschek (HJK), referência para casos graves de gestantes com Covid-19 em Belo Horizonte.

No hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte, os oito leitos reservados para grávidas com confirmação ou suspeita de Covid-19 nunca haviam ficado lotados em 2020, porém a equipe da unidade chegou a ampliar a oferta em dois leitos para acomodar mais pacientes, e as transferências de gestantes com Covid-19 em estado grave para o HJK aumentaram em ritmo inédito em março.

Fonte: Guia Muriaé, com informações do Jornal O Tempo


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