Novas abelhas rainhas para a ‘cidade do mel’ e região

São Domingos do Prata e Santa Bárbara foram as últimas paradas do Projeto de Melhoramento Genético na Apicultura – Produção Itinerante de Rainhas promovido pelo Sistema FAEMG. Mais de 100 pessoas acompanharam as reuniões técnicas que levaram informações sobre o projeto, inédito no Brasil, e sobre o Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG).

Além das reuniões, produtores do grupo de ATeG formado por apicultores dos dois municípios participaram da prática em campo.

O gerente do Sistema FAEMG em Viçosa, Marcos Reis esteve nos encontros e destacou a apicultura da região é destaque no estado e no Brasil, e o projeto será um grande aliado no desenvolvimento dos produtores. “Temos produtores experientes na região, e esse projeto sensacional, um divisor de águas que certamente irá ajudá-los a potencializar seus negócios e fortalecer a apicultura na região aliando o conhecimento adquirido no dia a dia com a tecnologia apresentada e somando forças com parceiros interessados no avanço dessa cadeia”.

O consultor máster das cadeias de Apicultura e Agroindústria do Programa ATeG, Arnaldo Maurício Correa Neto, responsável por acompanhar o desenvolvimento da iniciativa, apontou as condições naturais favoráveis e o nível técnico dos produtores como diferenciais da região.

Ele explicou que a dedicação coletiva ao projeto pode garantir melhor produtividade para todos e que esses são os primeiros passos para alcançar os resultados. “É um processo longo que depende de cada apicultor. É preciso conhecer as etapas e colocá-las em prática. Observar e compartilhar as informações para que seja possível o desenvolvimento da melhor abelha adaptada à região e às necessidades dos produtores”.

São Domingos do Prata

A parte prática do projeto aconteceu no apiário do jovem Hugo Carneiro, de 25 anos. Ele contou que se dedica à apicultura desde 2009 e em 2011 fez parte programa Jovem no Campo – Apicultura oferecido pelo Sistema FAEMG em São Domingos do Prata.
A capacitação o fez investir cada vez mais na atividade.

Atualmente Hugo faz parte do ATeG e se mostrou satisfeito em poder receber os ensinamentos do projeto no seu apiário. “Sou parceiro do SENAR e sempre busco me aprimorar e conhecer inovações. Essa novidade do melhoramento genético é muito interessante. Vai contribuir para agregar valor à produção de mel e própolis, com um trabalho melhor e mais eficiente”.

“O SENAR tem sido o pai da apicultura em São Domingos do Prata” afirmou a presidente da Associação dos Apicultores de São Domingos do Prata (AAPISPRATA), Patrícia Fortunato que faz parte do grupo ATeG no município. Ela é apicultora há 23 anos e contou que durante este período já participou de diversos treinamentos oferecidos pelo Sistema FAEMG que foram essenciais.

“Por mais que estejamos há muitos anos na atividade, sempre temos algo a aprender, e o ATeG está mostrando isso. Nós nunca fizemos essa troca de rainhas, por exemplo. Acredito que o melhoramento genético vai nos ajudar a melhorar a postura nas colméias e, com isso, a produção”.

A AAPISPRATA é a entidade cooperada do Sistema FAEMG no município e Patrícia enfatizou que a união dos produtores é fundamental para conquistar esse apoio e parceria. O mobilizador João Batista Lima afirmou que “o treinamento marcou uma nova etapa para os apicultores” e agradeceu à dedicação dos profissionais e produtores envolvidos no evento.

“A apicultura em si é um aprendizado todo dia. O ATeG nos traz um conhecimento grandioso e tecnologias acessíveis. Vamos trabalhando e nos aperfeiçoando com os excelentes profissionais do Sistema FAEMG. Esse encontro veio para nos ensinar mais sobre as rainhas e seu tempo de eficiência produtiva. Eu devo ter rainhas com 5 anos, que nunca pensamos em mudar, mas agora entendemos o que precisamos para fazer essa renovação tão importante”, comentou Aparecida Araújo Cassimiro, apicultora há mais de 20 anos que trabalha junto ao marido Carlos Roberto Cassimiro e o ajudante, Isaias Paiva.

O casal Maurílio Freitas e Betânia Bueno acompanhou atentamente a prática. Para o produtor que há seis anos se dedica à atividade apícola, “ter uma boa genética reprodutiva é o carro chefe para quem quer se profissionalizar e visa alta produtividade e lucratividade”. Betânia destacou a presença das mulheres em campo e contou que o trabalho com as abelhas garante a renda da família. “Sempre incentivo outras mulheres a serem apicultoras. Meu marido me incentivou, hoje trabalhamos juntos e gosto muito. Somos donos da nossa empresa rural e não preciso procurar emprego fora”.

Santa Bárbara

O mel é o principal produto industrial de Santa Bárbara, que possui o maior entreposto de beneficiamento de mel de Minas Gerais e o quinto maior do Brasil. O projeto do Sistema FAEMG para essa atividade chamou atenção de produtores, representantes do poder público e de empresas da cidade e região que acompanharam o evento realizado no dia 10 de maio.

Entre eles, a presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Santa Bárbara, Hercília Sanches, que destacou a potencial tecnológico do programa. “Esperamos que os produtores aproveitem essa oportunidade e nos colocamos à disposição para ajudá-los nessa e outras atividades que colaborem para a sua rentabilidade e qualidade de vida”.

“Santa Bárbara é conhecida como a cidade do mel, por isso, projetos como esse são essenciais para amparar os produtores e oferecer a eles as melhores condições para trabalhar e manter esse título que é motivo de orgulho para todos nós”, comentou Angélica Silva, presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico e Social de Santa Bárbara (ADESB), entidade cooperada do Sistema FAEMG na cidade.

O fundador da Mel Santa Bárbara, empresa que produz mais de seis toneladas de mel por semana e tem mais de 200 parceiros apicultores, José Renato Fonseca Oliveira este no evento e afirmoufoi um momento de aprendizado e confirmação do comprometimento do Sistema FAEMGem oferecer conhecimento e tecnologia para os produtores.Para ele, o investimento no melhoramento genético será proveitoso para toda a cadeia produtiva, desde o produtor, à indústria até o consumidor.

“Somos reconhecidos pela qualidade do mel e recebo essa inovação como um passo importante para que cada vez mais produtores sejam bem-sucedidos na atividade. A informação está disponível para nós, e devemos usá-la a nosso favor. Assim teremos mais geração de renda, empregos e desenvolvimento principalmente para a zona rural do nosso município”.

Paula Lobato, coordenadora do programa ATeG Apicultura disse que foi emblemático encerrar o projeto em um município em que a apicultura é parte importante da economia e está em busca de aprimoramento. “Muito bom ver a casa cheia de pessoas que acreditam na apicultura. Nós estamos buscando o desenvolvimento dessa atividade difundindo conhecimento”.

Após a reunião, a etapa prática aconteceu no apiário do produtor Fernando Carioca, que está na atividade há mais de 30 anos e atualmente tem cerca de 300 colmeias em 15 apiários. A apicultura é a sua principal fonte de renda e Fernando destacou que o ATeG tem feito a diferença na administração do negócio.
Com o trabalhoem campoele também está satisfeito e acredita que o melhoramento genético vai nos ajudar a equalizar a produtividade. “No mesmo apiário tenho colmeias que produzem muito, e a do lado não produzindo nada. Espero conseguir colocar o ensinamento em prática no dia a dia, e, com as novas rainhas, resolver essa questão”,

Mais novo na atividade, produtor a apenas três anos, Kessler Johnson afirmou que o ATeG tem acelerado a sua evolução no manejo e na inserção no mercado “aprendi em um ano, o que aprenderia em 10. Busco o diferencial, me interesso pelos números e o projeto de melhoramento genético tem tudo a ver com quem busca melhores indicadores”.

O técnico de campo que acompanha o grupo ATeG nos municípios, Vailton Lessa Lima explicou que o trabalho em campo e no laboratório móvel serviu para que os produtores vissem na prática o processo do melhoramento genético, e aprendessem sobre essa tecnologia que é acessível a todos. “A região tem um grupo de apicultores experientes, tem grande potencial, porém, ainda tínhamos uma falha na questão do melhoramento genético que eles ainda não executavam. Apresentando essa inovação, acredito que eles buscarão melhorias, principalmente para alcançar melhores índices de produtividade”.

Retorno

Nessaetapa aconteceu o processo de identificação de uma rainha, incubação das larvas que darão origem às novas abelhas-rainhas que serão distribuídas aos produtores nos próximos encontros. A ideia é que os produtores consigam realizar essas etapas nas suas propriedades, e assim seguir melhorando a genética dos enxames.

Os encontros para a finalização do processo acontecerão no dia 18 de maio em São Domingos do Prata e no dia 19 em Santa Bárbara.

Fonte: Senar MG

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