Maternidade-Escola ajuda a engravidar mulheres que tiveram câncer

Que o câncer, quando não mata, deixa sequelas devastadoras, todo mundo já sabe. Mas e se fosse possível para uma mulher com câncer, que quer ter filhos, preservar um de seus ovários, passar pelo tratamento oncológico e voltar a sonhar em ser mãe? É o que a equipe do médico ginecologista João Marcos Meneses pretende com a técnica de congelamento de tecido ovariano para reimplante. O método é desenvolvido pelo Grupo de Educação e Estudos Oncológicos, da Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (Meac), administrada pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), e o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce).

A advogada Renata Teixeira Cavalcante de Albuquerque, de 41 anos, que nem pensava tanto na possibilidade de ter filhos, acabou despertando para a ideia quando foi apresentada à técnica pelo Dr. João Marcos. “Não sou casada, mas a gente nunca sabe o dia de amanhã”, brinca a paciente, que enfrenta um tratamento de câncer de mama com um admirável bom-humor. Renata apresentava as condições necessárias para o sucesso do procedimento, como alta taxa de fertilidade, por exemplo.

O pesquisador explica que a técnica consiste em retirar parte do ovário antes que a paciente comece o tratamento contra o câncer. Depois do diagnóstico de cura, o tecido ovariano é reimplantado na mulher. Podem ser submetidas à técnica mulheres com câncer que tenham menos de 40 anos de idade no período de retirada do tecido ovariano, que ainda queiram engravidar e que tenham função ovariana, ou seja, ovários em pleno funcionamento.

“Como o tratamento contra o câncer é bastante agressivo, os ovários das pacientes, a exemplo do restante do organismo, sofrem muito, podendo levar à menopausa precoce ou à infertilidade”, explica João Marcos.

A técnica permite que a fertilidade de pacientes sobreviventes do câncer seja mantida. Na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, são feitas consultas, exames e os procedimentos cirúrgicos de retirada e reimplante do tecido ovariano. Cabe ao Hemoce o armazenamento do tecido a baixíssimas temperaturas.

Critérios de exclusão

Não podem ser submetidas a essa técnica pacientes que tiveram o útero retirado ou que apresentam alguma doença que impede a gravidez como, por exemplo, o câncer de colo de útero, leucemia ou tumor no ovário. Entretanto, quando o tumor afeta apenas um dos ovários, é possível ainda tentar a gravidez, explica o Dr. João Marcos. “Nós temos alguns casos em que a paciente que teve tumor em um dos ovários, o outro que estava saudável foi congelado e, depois, reimplantado. Ela conseguiu engravidar. Ou seja, mesmo aquelas mulheres que têm câncer no ovário, dependendo da extensão, podem ser submetidas à técnica”, comemora.

Hoje, há 40 nascidos vivos a partir dessa técnica no mundo todo, em países como Estados Unidos, Israel, Austrália e Japão. Nenhum na América Latina. “Então, o nosso sonho é que o Ceará tenha o primeiro”, planeja João Marcos. Até agora, o projeto fez coleta de tecido ovariano em cinco pacientes, mas nenhum reimplante porque as mulheres ainda estão em quimioterapia. “Estudos mostram que o ovário volta a funcionar em 93% dos casos”.

Para que a iniciativa seja permanente, a parceria com outras instituições é fundamental. “A gente espera que a Secretaria da Saúde do Ceará e a Fundação Cearense de Apoio à Pesquisa adotem a ideia para que mais mulheres possam se beneficiar”, pontua o especialista. Hoje, o projeto tem recursos suficientes para congelar o tecido ovariano de 20 pacientes.

Qualquer mulher que cumpra os critérios de inclusão pode ser submetida à técnica, basta que apresente encaminhamento do seu oncologista à equipe do Ambulatório de Cirurgia da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand. “Nas tardes de sexta-feira, aqui no ambulatório, nós temos aberto para pacientes encaminhadas de oncologistas. A condição é atendê-las de forma gratuita”, finaliza João Marcos.

Agora, os planos da advogada Renata são retomar a rotina de estudos e, logo, garantir uma vaga em um tribunal com a aprovação no concurso público. “E se um dia encontrar um cabra que preste, quem sabe levo a ideia de engravidar adiante”, planeja, sem deixar de lado o bom humor.

Serviço

Mulheres interessadas e que tenham encaminhamento do seu oncologista podem entrar em contato com o Ambulatório de Cirurgia Ginecológica da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand: (85) 3366.8570

Com informações da Unidade de Comunicação Social do Complexo Hospitalar da UFC

Fonte: Complexo Hospitalar da UFC


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