Vacinação contra gripe em crianças é fundamental para evitar complicações

A Campanha Nacional de Vacinação contra Gripe Influenza, em Minas Gerais, não alcançou ainda, em nenhum grupo prioritário a meta de 90% de imunização. Com 6.885.200 de doses recebidas, população-alvo de 8.433.958 de habitantes, foram aplicadas, no estado, 3.427.911 doses com cobertura vacinal de 39,9%.

Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), disponibilizados no endereço eletrônico https://qsprod.saude.gov.br/extensions/Influenza_2021/Influenza_2021.html, na última terça-feira (15/6), a maior taxa de cobertura vacinal em Minas Gerais era de povos indígenas com 86,40%. O segundo grupo é o de crianças com 69,9%. Mesmo com a taxa desse público acima da média nacional de 54,2%, o índice está longe da meta estabelecida de 90% e incita preocupação.

Os demais grupos prioritários (gestantes, mães recentes, trabalhadores da saúde e idosos) também estão contemplados no programa de vacinação contra a covid-19. Dessa forma, embora haja necessidade de ampliar a vacinação nesses grupos, há a relação entre o tempo de 14 dias entre a vacinação de uma doença e outra. Essa pode ser uma variável para explicar a baixa procura – menor que 60%- dos demais públicos em relação à vacinação contra influenza.

Referência técnica de Imunização da SRS Belo Horizonte, Camila Silva de Freitas, destaca a importância da vacinação anual contra a gripe. “A vacinação anual contra a influenza previne as formas graves da doença, desafogando o sistema de saúde, neste momento difícil em que os índices de ocupação de leitos de CTI estão tão altos”, ressalta.

Sobre a cobertura vacinal do grupo de crianças, Freitas enfatiza o momento estratégico da vacinação. “O grupo das crianças é historicamente fácil de alcançar a meta preconizada pelo Ministério da Saúde. Neste ano atípico, pela baixa cobertura até o momento, vemos que estão seguindo a tendência dos demais grupos. No entanto, é de suma importância vacinar nossas crianças, elas são mais vulneráveis ao vírus influenza, podendo evoluir para casos graves, além de terem um papel importante na transmissão da doença”, salienta.

Também referência da SRS BH, Joana Costa Lopes, afirma haver disponibilidade de vacinas nos municípios. “Embora as doses da vacina contra a influenza sejam entregues em remessas, não há, até o momento, falta desse imunobiológico nos municípios sob jurisdição da SRS BH.”

Contudo, ressalta-se que a vacina contra a gripe influenza previne complicações, óbitos e suas consequências sobre os serviços de saúde decorrentes da doença, bem como minimiza a carga da doença, reduzindo sintomas que podem ser confundidos com os da covid-19, facilitando o diagnóstico.

Todas as crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade (5 anos, 11 meses e 29 dias) que receberam pelo menos uma dose da vacina influenza sazonal em anos anteriores, devem receber apenas uma dose em 2021. Para a população indígena, a vacina está indicada para as crianças de 6 meses a menores de nove anos de idade.

A produtora rural de Salto da Divisa, no baixo Jequitinhonha, Cristiana Peixoto, levou sua filha de 7 meses, Helena Cunha Peixoto Alves, para vacinar. “É importante cuidar da saúde das crianças, prevenir as doenças. Inclusive pelo fato de a vacina contra gripe atenuar sintomas da covid-19. Enquanto não há vacina para crianças contra covid, manter o distanciamento social e as orientações de higiene são essenciais. A vacinação contra a gripe também pode ajudar em relação a sintomas e diagnóstico.”

A arquiteta Sara Peters, que levou seu filho Tiago Peters Mendes de 4 anos para imunizar, aponta a importância da vacinação anual. “Todo ano tem a variante da vacina. Então, tem que vacinar todo ano para não pegar doença. Todas as vacinas devem ser tomadas. Estamos em 2021 e não cabe mais perder alguém por não ser vacinado.”

Para a bióloga e professora universitária, Thaís Maya, que foi ao posto de saúde com seu filho Théo Maya Aguilar Assis, 4 anos, a vacinação é importante para proteger as crianças, os idosos e a população em geral. “A baixa de imunidade causada pelo H1N1 pode abrir portas para outras doenças. A vacina H1N1 evita os casos graves, assim como a vacina contra a covid-19.”

Volta às aulas

Vários municípios mineiros têm trabalhado para a volta às aulas e divulgado protocolos de retorno para as escolas públicas e privadas. Dessa forma, a vacinação e os cuidados devem ser reforçados. Em relação à gripe influenza, as crianças podem apresentar febre alta, aumento dos linfonodos cervicais, quadros de bronquite ou bronquiolite, além de sintomas gastrointestinais.

Transmissão

A transmissão dos vírus do tipo influenza ocorre, assim como a gripe comum e como o coronavírus, por meio de secreções respiratórias passadas de uma pessoa para outra, como gotículas de saliva, tosse ou espirro, principalmente. Além disso, é possível pegar a gripe por contato com superfícies contaminadas com gotículas respiratórias (o que pode incluir qualquer objeto).

Influenza e Covid-19

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) expõe em seu portal https://www.saude.mg.gov.br/gripe alguns esclarecimentos quanto à vacinação de influenza em relação à covid-19:

• Se o cidadão ou cidadã estiver com diagnóstico ou com suspeita de covid-19, adie a vacinação até a sua recuperação total ou pelo menos, 28 dias após o início dos sintomas ou do teste positivo para o novo coronavírus, caso seja assintomático;

• Deve-se respeitar um intervalo mínimo de 14 dias entre as vacinas. Ou seja, se tomar a vacina contra a influenza, espere 14 dias para tomar a da covid-19. Se tomar primeiro a da covid-19, 1ª ou 2ª dose, espere mais 14 dias para tomar a da influenza;

• Após os 14 dias, se pertencer a um dos grupos prioritários que já foi vacinado contra a covid-19, mas perdeu a data do seu grupo de vacinação contra a gripe influenza, deve ir ao posto de saúde mais próximo de sua residência para receber a vacina contra gripe. A orientação é levar o cartão de vacinação.

Como se prevenir

Além da vacinação, orienta-se a adoção de outras medidas gerais de prevenção para toda a população. Tais medidas são comprovadamente eficazes na redução do risco de adquirir ou transmitir doenças respiratórias, especialmente as de grande infectividade, como o vírus da gripe e do novo coronavírus, mas não substituem vacina:

• Lave as mãos com água e sabão ou use álcool em gel, principalmente antes de consumir algum alimento;

• Utilize lenço descartável para higiene nasal;

• Cubra o nariz e boca ao espirrar ou tossir;

• Evite tocar mucosas de olhos, nariz e boca;

• Não compartilhe objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;

• Mantenha os ambientes bem ventilados;

• Evite contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de gripe;

• Evite aglomerações e ambientes fechados (procure manter os ambientes ventilados);

• Adote hábitos saudáveis, como alimentação balanceada e ingestão de líquidos;

• Em caso de gripe, procure seu médico ou a unidade de saúde mais próxima para diagnóstico e tratamento adequados.

Mais informações sobre a vacinação contra a influenza, bem como esclarecimentos de dúvidas estão disponíveis em https://www.saude.mg.gov.br/gripe.

Fonte: SES-MG


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