Você sabia que uma hora de uso de narguilé equivale a 100 cigarros?

O narguilé faz parte dos momentos de diversão da universitária Thaís Moraes e de seus amigos. O grupo se reúne aos finais de semanas para confraternizar e fumar. “Fumo há uns três anos. Sempre em momentos de descontração com meus amigos. Temos um grupo de mais ou menos dez pessoas que se reúnem em casa ou em barzinhos”, conta.

O uso pode durar por horas. “Dependendo do ânimo do pessoal, podemos passar a noite fumando. Na sexta-feira passada, por exemplo, começamos por volta das oito e fomos até meia noite”, fiz Thaís. A jovem de 22 anos já anda preparada para estes momentos. “Tenho meu próprio narguilé. Ando com ele no porta-malas do carro para fumar quando quiser”, disse.

O narguilé, também conhecido como cachimbo d’ água, Shisha ou Hookah, é um dispositivo para fumar no qual o tabaco é aquecido e a fumaça gerada passa por um filtro de água antes de ser aspirada pelo fumante, por meio de uma mangueira.

O narguilé pode parecer menos nocivo que outros produtos de tabaco fumados por usar um filtro d’água e, muitas vezes, aromatizantes e flavorizantes (aditivos que conferem aroma e sabor agradáveis ao tabaco). Porém, se usado em longo prazo, assim como todos os produtos de tabaco fumados, causa câncer de pulmão, boca e bexiga, estreitamento das artérias e doenças respiratórias. Além disso, ao compartilhar o narguilé com outros usuários, o fumante pode ficar exposto ao vírus do herpes e outras a doenças da boca, além de hepatite C e tuberculose.

Especialmente usado por jovens, o narguilé tem uma característica peculiar que incentiva o aspecto da socialização. Um único cachimbo pode ser usado por várias pessoas simultaneamente, reforçando o uso em grandes grupos. O consumo é mais prejudicial que o de cigarros. Segundo a Organização Mundial da Saúde uma sessão de narguilé dura em média de 20 a 80 minutos, o que corresponde à exposição de todos os componentes tóxicos presentes na fumaça de 100 a 200 cigarros.

Outro grave problema: um dos grandes riscos do narguilé é a intoxicação por monóxido de carbono — mesmo gás tóxico liberado pelos canos de descarga de automóveis — o que reduz a oxigenação do sangue e do cérebro. Os sintomas de intoxicação aguda por monóxido de carbono são inespecíficos e podem variar de fadiga, náuseas e dores de cabeça à perda da consciência, desmaios, arritmias cardíacas, isquemia miocárdica e morte.

De acordo com a pesquisa Vigilância de Tabagismo em Escolares (Vigescola) do Ministério da Saúde, realizado em 2009 pelo Ministério da Saúde, o consumo de narguilé por jovens de três capitais (São Paulo/SP, Campo Grande/MS e Vitória/ES) foi elevado tanto em meninas quanto em meninos, atingindo prevalências semelhantes às encontradas nas regiões orientais do Mediterrâneo, onde o narguilé é culturalmente utilizado. A prevalência do consumo do narguilé em São Paulo foi a mais alta: 93,3% dos entrevistados que consumiam outros derivados do tabaco fumado, além do cigarro industrializado, declararam usar o narguilé com maior frequência.

A boa notícia é que o ato de fumar está cada vez menos popular entre os brasileiros. A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE, revela que o índice de pessoas que consomem cigarros e outros produtos derivados do tabaco é 20,5% menor que o registrado cinco anos atrás. Em 2013, do total de adultos entrevistados, 14,7% afirmavam fumar. Esse índice era de 18,5% em 2008, conforme a Pesquisa Especial de Tabagismo do IBGE (PETab).

Adolescentes fumantes têm alta probabilidade de se tornarem adultos fumantes. Quanto mais cedo se estabelece a dependência do tabaco, maior o risco de câncer e de outras doenças crônicas não transmissíveis, morte prematura na meia idade ou na idade madura. Além disso, a experimentação é o primeiro passo para uma futura adesão ao consumo regular dos produtos de tabaco.

Fonte: Gabriela Rocha / Blog da Saúde

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