Uso de anti-inflamatórios eleva riscos para rins e pressão arterial

Especialistas alertam para riscos da automedicação, prática comum entre brasileiros

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O uso frequente de medicamentos sem orientação médica, especialmente anti-inflamatórios, pode trazer consequências graves à saúde, afetando principalmente os rins e o sistema cardiovascular. A prática da automedicação, comum no país, acende um alerta entre especialistas sobre os riscos associados ao consumo indiscriminado desses fármacos.

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Segundo levantamento do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), a maioria dos brasileiros recorre a medicamentos por conta própria, sendo os anti-inflamatórios não esteroides — como Ibuprofeno, Diclofenaco e Naproxeno — alguns dos mais utilizados para aliviar dores comuns.

No entanto, o uso desses medicamentos, principalmente de forma contínua ou associado a outros remédios, pode comprometer o funcionamento dos rins. Isso ocorre porque os anti-inflamatórios interferem na produção de prostaglandinas, substâncias responsáveis por manter a adequada circulação sanguínea nos órgãos. Sem esse mecanismo, a filtração do sangue pode ser reduzida, aumentando o risco de insuficiência renal.

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A situação se torna ainda mais delicada quando esses fármacos são combinados com diuréticos e medicamentos para controle da pressão arterial, como os inibidores da ECA. Essa associação, conhecida no meio médico como “tríade perigosa”, pode levar à queda significativa da função renal.

Além disso, o uso concomitante com outros medicamentos — como os inibidores de SGLT2, utilizados no tratamento do Diabetes tipo 2, ou substâncias como lítio e ciclosporina — também eleva o risco de complicações, incluindo danos renais e alterações na eficácia de tratamentos em andamento.

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Os impactos não se limitam aos rins. Do ponto de vista cardiovascular, os anti-inflamatórios podem provocar retenção de líquidos e aumento da pressão arterial, agravando quadros clínicos e elevando o risco de eventos como infarto.

Grupos mais vulneráveis, como idosos, hipertensos e pessoas com doenças crônicas, exigem atenção redobrada. Nesses casos, até mesmo o uso pontual pode desencadear insuficiência renal aguda. Quando o consumo é prolongado, há risco de evolução para doença renal crônica, condição que pode exigir tratamentos como diálise ou transplante.

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Outro fator preocupante é que doenças renais costumam evoluir de forma silenciosa. Em muitos casos, os sintomas só aparecem em estágios avançados, dificultando o diagnóstico precoce.

Diante desse cenário, especialistas recomendam cautela no uso de anti-inflamatórios, sempre na menor dose possível e pelo menor tempo necessário. A orientação médica é considerada essencial, assim como a investigação da causa da dor, evitando o uso contínuo de medicamentos apenas para mascarar sintomas.

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Fonte: Guia Muriaé, com informações da Tribuna de Minas

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