O lançamento dos trilhos da ferrovia que ligaria Campos a Muriaé e Carangola



A Terra da Promissão foi publicado em 1956. O português foi mantido como no original.

Confira:

Adquirida a fazenda de Pôrto Alegre pelo Comendador José Cardoso Moreira, por volta do ano de 1878, homem empreendedor rico e político de grande prestígio naquela época, conseguiu subvenção do govêrno para a construção de uma estrada de ferro, que, partindo da cidade de Campos atingisse os Municípios mineiros de Muriaé (São Paulo de Muriaé) e Carangola (Santa Luzia de Carangola).

Feita a locação, foi iniciada a construção dessa via férrea que recebeu o nome de Estrada de Ferro do Carangola – em virtude de a concessão estipular por ponto final aquela última cidade mineira. Atingindo a ponta dos trilhos a estação de Cachoeiro (hoje, Cardoso Moreira), por longo temo aí estêve estacionada a construção, por motivo de interêsse pessoal, segundo versão corrente naquela época, o que muito prejudicou os interêsses da Estrada e da zona que ia servir.

Alguns anos depois, em 1881, avançou de novo até Pôrto Alegre (hoje, Itaperuna), ficando aí paradas as suas obras por algum tempo, como ponto terminal, pelos mesmos motivos que ocorreram para o seu estacionamento em Cardoso Moreira, até que a Estrada de Ferro Leopoldina, que partira de Pôrto Novo do Cunha, avançava em direção de Carangola, ameaçou cortar o traçado da rêde da Estrada de Ferro Carangola, finalizada em Pôrto Alegre.

Quando o Comendador Cardoso Moreira compreendeu o plano da E. F. Leopoldina, atacou de novo com tôda a energia a construção de sua Estrada para Muriaé, mas ao chegar a ponta dos trilhos a Patrocínio do Muriaé, já era tarde, pois aquela Estrada já havia cortado a frente e avançava violentamente para Carangola, onde chegou em primeiro lugar, seguindo, 20 anos depois, para Manhuaçú.

Impedido, assim, de levar a linha fluminense para Muriaé, tentou, então, o Comendador Cardoso cortar a frente da Leopoldina em Porciúncula (Santo Antônio de Carangola), mandando avançar os serviços a todo o risco, mas ao chegar as suas turmas àquela localidade, a Leopoldina já havia preparado o leito de suas linhas, forçando, assim, a Estrada F. Carangola e abandonar os seus traçados no território mineiro, ficando fixado o ponto terminal de suas linhas em Patrocínio (antigamente, Pôço Fundo) e Porciúncula. Em 1888, a Estrada de Ferro Leopoldina Railway, então poderosa companhia inglêsa, encampou a Estrada de Ferro do Carangola.

Fonte: Dados Históricos extraídos do livro Terra da Promissão, de autoria do Major Porphirio Henriques, editado pelo filho Jary Henriques após a morte do pai.

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2 comentários para “O lançamento dos trilhos da ferrovia que ligaria Campos a Muriaé e Carangola”

  1. Plinio F. Alvim says:

    Parabéns pela publicação destas importantes informações e curiosidades históricas acerca da implantação da ferrovia na nossa Zona da Mata. Aproveito para acrescentar um pequeno esclarecimento. Em 1888 a ‘Cia. Estrada de Ferro da Leopoldina’ ainda era uma empresa brasileira e não uma empresa britânica. A Leopoldina foi a primeira ferrovia criada, genuinamente, em Minas Gerais – inaugurada em 1874, por D.Pedro II, em Além Paraíba-MG. Muitos anos depois, após tomar inúmeros empréstimos externos que não conseguia saldar, a empresa era, finalmente, transferida para o controle inglês. No dia 16 de dezembro de 1897, foi criada em Londres a The Leopoldina Railway Company Limited, que foi autorizada a funcionar no Brasil pelo Decreto nº 2.797, de 14 de janeiro de 1898. Outras informações poderão ser encontradas em: ‘Estrada de Ferro Leopoldina – 135 anos’ (http://www.leopoldinense.com.br/base.asp?area=colunas&id=284), deste autor, pesquisador da história regional da Mata Mineira e membro honorário da Academia Ferroviária de Letras – AFL.

  2. donisete says:

    esta ferrovia precisa voltar a funcionar por completa

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