Muriaé é uma das cidades de Minas onde mais se mata adolescentes



Um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, na sigla em inglês) mostra que Muriaé figura entre as cinco cidades de Minas Gerais onde mais se mata adolescentes.

O estudo leva em consideração o Índice de Homicídios na Adolescência 2014 (IHA) da UNICEF, que é calculado para cada grupo de 1 mil pessoas entre 12 e 18 anos. A pesquisa, com dados referentes ao ano de 2014 mas concluída recentemente, analisa os homicídios nos 300 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes – 31 deles estão em Minas Gerais.

Em Minas Gerais, Betim lidera, com 7,95 mortes por mil, seguida por Coronel Fabriciano (7,14), Governador Valadares (6,54), Ribeirão das Neves (6,25) e Muriaé (5,81). O município de Ubá também aparece no “Top 10” na sétima posição (5,27). Em Belo Horizonte, o índice é de 3,10.




A cidade onde mais se mata adolescentes no país é Eunápolis (BA), com 16,89 mortes por mil. Outras duas cidades da Bahia aparecem no “Top 3”: Simões Filho (14,76) e Lauro de Freitas (13,89). Em seguida aparecem Serra (ES), com 12,71, e Porto Seguro (BA), com 12,19.

A análise geral do IHA revela que, para cada 1 mil adolescentes no país, 3,65 correm o risco de ser assassinados antes de completar o 19º aniversário.

E a estimativa da UNICEF é de que, se nada for feito, 43 mil adolescentes sejam assassinados nas maiores cidades do Brasil até 2021.

Risco mais alto para os adolescentes do sexo masculinos e negros no Nordeste

Outro ponto importante que o relatório mostra é a “nordestização” da violência. Das dez capitais mais violentas para um adolescente, sete estão na Região Nordeste. Fortaleza tem o maior IHA, com 10,94 homicídios para cada grupo de mil adolescentes, seguida por Maceió (9,37). As cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo registraram a 19ª e a 22ª posição entre as capitais (2,71 e 2,19, respectivamente).

O cálculo dos riscos relativos atesta a influência de sexo, cor, idade e meio utilizado no homicídio na probabilidade de um adolescente ser vítima de violência letal. Em 2014, os adolescentes do sexo masculino tinham um risco 13,52 vezes superior ao das adolescentes do sexo feminino, e os adolescentes negros, um risco 2,88 vezes superior ao dos brancos. O risco de ser morto por arma de fogo é 6,11 vezes maior do que por outros meios.

Outro estudo conduzido pelo UNICEF, a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e o Governo do Estado do Ceará, Trajetórias Interrompidas, traz uma análise de homicídios ocorridos em Fortaleza e em outros seis municípios cearenses, com conclusões semelhantes. As vítimas eram, em grande maioria, meninos (97,95%) e negros ou pardos (65,75%), moradores das periferias. Os adolescentes assassinados eram, em sua maioria, pobres – 67,1% viviam em lares com renda familiar entre um e dois salários mínimos – e 70% estavam fora da escola há pelo menos seis meses. Em Fortaleza, metade dos homicídios de adolescentes aconteceu em média a 500 metros da casa da vítima.

Fonte: Guia Muriaé, com informações do Estado de Minas e da UNICEF

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