Aluna de escola pública de Cataguases vai cursar Medicina na UFJF

Até o próximo dia 04 de agosto, Camilla Rodrigues de Assis, de 19 anos de idade, vai se matricular no curso de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Hoje, trabalha como recepcionista na agência da Caixa Econômica Federal em Cataguases, onde orienta as pessoas que necessitam utilizar o caixa eletrônico. Até ser aprovada no vestibular de um dos cursos mais concorridos do país, ela passou por “muitos perrengues”, como recorda com um sorriso no rosto, e contou com o irrestrito e total apoio de seus pais.

Filha do operador de máquina da Companhia Industrial Cataguases, Ricardo Pinheiro de Assis, e de Maria Silvana Rodrigues das Neves Pinheiro, faxineira na agência da Caixa, Camilla, não vê a hora de começar o curso que a fará se tornar neurocirurgiã. Para chegar até aqui ela estudou no Coronel Vieira, Escola de Formação Gerencial, graças a uma bolsa, e fez o Ensino Médio no CEFET-MG, onde formou-se em Informática. Nesta caminhada, conta, recebeu apoio total dos pais “que sempre me incentivaram a estudar. Tenho imenso orgulho deles porque sofreram junto comigo, acordando e dormindo de madrugada. Foram muitos perrengues, e eles me davam suporte sempre.”

Sem condição de estudar em cursinhos, nem mesmo quando ganhou uma bolsa no curso Persistir, pode estudar porque não conseguiu conciliar as aulas no CEFET-MG. “Meu método de estudo então era sempre refazer provas antigas e quando eu tinha dúvidas eu assistia muitas videoaulas gratuitas pelo YouTube, e colava rascunhos atrás da porta do meu quarto dos detalhes que eu não podia esquecer, e assim eu sempre podia ficar revisando”, lembra.

Camilla continua: “No ano que fui fazer o vestibular pra valer a situação financeira na minha casa piorou, eu comecei a trabalhar pra ajudar as despesas, e nesse período eu filtrei mais o meu estudo pra conseguir dar conta de todo conteúdo que eu pretendia estudar”, disse.

O esforço e a dedicação lhe valeram três aprovações no vestibular: Fisioterapia e Medicina, na UFJF, e Engenharia de Controle e Automação, no CEFET-MG. Ela será a primeira na família a entrar em uma Universidade. A irmã caçula, de 16 anos, estuda no Polivalente, e quer seguir o exemplo de Camilla.

Já os seus pais estão radiantes por ela ter alcançado seu objetivo. O início das aulas no novo curso ainda não está definido, e elas podem até ocorrer de forma presencial. Enquanto isso Camilla vai controlando a ansiedade e fazendo planos para quando colocar a palavra doutora antes de seu nome.

Fonte: Marcelo Lopes


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