Donos de agências de modelos são presos em flagrante suspeitos de golpe em Juiz de Fora
Doze pessoas foram presas em flagrante após vítima acionar a Polícia Militar; suspeitos cobravam taxas para liberar supostos cachês de até R$ 9 mil
Um grupo suspeito de aplicar golpes por meio de um falso esquema de agenciamento de modelos foi detido no bairro São Mateus, em Juiz de Fora, na tarde de quarta-feira (2), depois que uma das vítimas acionou a Polícia Militar (PM).
Entre os detidos estão Marlon de Andrade Lima e João Vitor Silva Martins, apontados como responsáveis pelas empresas envolvidas no esquema. De acordo com a corporação, ambos já possuíam mandados de prisão preventiva em aberto, expedidos pela Comarca de Brusque, em Santa Catarina, também relacionados a suspeitas de estelionato. A reportagem do g1 ainda busca contato com a defesa dos dois.
Conforme informações da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), cinco suspeitos — entre eles a dupla identificada como proprietária das empresas — foram encaminhados ao sistema prisional do Ceresp de Juiz de Fora.
Cobranças e valores identificados
Segundo apurado, o grupo prometia às vítimas cachês de até R$ 9 mil, com liberação no mesmo dia, mediante o pagamento prévio de uma taxa referente a serviços de assessoria de imagem ou produção. Os valores cobrados variavam entre R$ 4,2 mil e R$ 9 mil.
A polícia constatou a movimentação de R$ 17,3 mil em quatro transações eletrônicas realizadas por meio de máquinas de cartão utilizadas pelo grupo. De acordo com o boletim de ocorrência, doze pessoas foram presas em flagrante. Ao todo, dezoito vítimas foram identificadas, das quais cinco tiveram o golpe efetivamente consumado. O caso será investigado pela Polícia Civil.
Vítimas eram majoritariamente mulheres acima de 50 anos
De acordo com as investigações, a maior parte das vítimas era composta por mulheres com mais de 50 anos, contatadas por meio de mensagens enviadas de números com DDD de São Paulo. Os suspeitos se apresentavam como representantes de agências de modelos, alegando ter identificado as mulheres em redes sociais e afirmando que elas possuíam perfil adequado para campanhas de marcas reconhecidas. Em seguida, as convidavam para participar de uma seletiva presencial.
Estrutura utilizada para aplicar o golpe
As vítimas eram recebidas em salas comerciais alugadas na rua São Mateus, ambiente organizado de forma a simular a estrutura de uma agência profissional, com divisão por setores. Conforme consta no boletim de ocorrência, elas preenchiam fichas de cadastro e participavam de uma sessão de fotos do rosto, além de serem submetidas a entrevistas individuais conduzidas por um homem que se identificava com nome falso.
Ainda segundo o registro policial, durante essas avaliações as mulheres recebiam notas elevadas e eram informadas de que seus perfis já haviam sido aprovados por grandes marcas do mercado.
Pressão para obtenção de dinheiro
Segundo a polícia, quando as vítimas alegavam não dispor de recursos financeiros ou limite disponível em cartões de crédito, os suspeitos passavam a adotar postura mais incisiva. O boletim de ocorrência relata que integrantes do grupo chegavam a manusear os celulares das vítimas para acessar aplicativos bancários, contratando empréstimos cujos valores eram então transferidos como forma de pagamento das taxas exigidas.
Em um dos casos relatados no documento, o documento de identidade de uma vítima teria sido retido pelo grupo, que a teria orientado a se deslocar a pé até uma agência bancária para efetuar saque em espécie.
O registro policial aponta ainda que os comprovantes das transações realizadas apresentavam nomes de beneficiários distintos daqueles constantes nos contratos entregues às vítimas.
Fonte: Guia Muriaé, com informações do G1











