Jovem de Cataguases deixa o Brasil para lutar na guerra da Ucrânia
A milhares de quilômetros de casa, entre treinamentos militares, tanques de guerra e vivendo em uma das regiões mais perigosas do planeta, um jovem de Cataguases decidiu trocar a rotina de trabalho no Brasil para viver um dos conflitos mais violentos da atualidade, movido pela convicção de que está participando de algo maior do que ele próprio.
Aos 27 anos, Webert Brandon Ferreira Marciano tomou uma decisão que mudou completamente sua vida: deixou o emprego no Brasil para se alistar e lutar na Guerra da Ucrânia. Nascido e criado em Cataguases, ele trabalhou em diferentes empresas e atividades na cidade e na região. Passou pela antiga Companhia Industrial Cataguases, pela Special Dog Pet, atuou como auxiliar de táxi na rodoviária e também trabalhou na Link10. Mais tarde, seguiu para Macaé, no Rio de Janeiro, onde ingressou em uma empresa do setor offshore.
Foi justamente em Macaé que surgiu a ideia de se voluntariar para a guerra. Segundo ele, o desejo de viver uma nova experiência se somou a uma antiga paixão pela carreira militar.
“Estava cansado da rotina e tentando buscar uma nova oportunidade, porque o que a empresa tinha prometido não estava sendo cumprido. Sempre gostei da área militar desde o período em que estive no Exército em Juiz de Fora”, contou.
A oportunidade surgiu por meio de um conhecido que já estava na Ucrânia. Após receber as orientações, Webert se cadastrou em um site de recrutamento internacional e, poucos dias depois, participou de uma entrevista. A aprovação foi rápida devido à sua experiência militar anterior. A decisão, no entanto, não foi fácil. Filho único, ele optou por comunicar aos pais apenas uma semana antes da viagem.
“Pedi muito a Deus direção para saber se era para vir mesmo, mas não senti nada no coração que me impedisse. Então vim tranquilo”, afirmou.
A jornada até a Ucrânia também foi longa. Webert saiu de Cataguases em um domingo, seguiu para São Paulo, onde permaneceu dois dias em um hotel aguardando o voo internacional, que partiu dia 20 de maio. Depois embarcou para Doha, no Catar, e, de lá, para Varsóvia, na Polônia. O trecho final até a cidade ucraniana de Ternopil foi feito de ônibus.
Há quarenta dias em território ucraniano, ele já possui documentação militar, recebeu um número de identificação semelhante ao CPF brasileiro e até ganhou um nome em ucraniano. Assim como ele, outros nove brasileiros – de outras cidades – também deixaram o Brasil para engrossar fileiras na guerra da Ucrânia.
Atualmente, Webert integra um pelotão de Infantaria e participa de treinamentos para missões de assalto, resgate e tomada de posições. Nesta semana, começou a aprender a conduzir um tanque de guerra. O treinamento terá duração de 52 dias, período considerado maior devido à unidade que escolheu integrar.
Instalado em Sumy, a cidade localizada na fronteira com a Rússia é considerada uma das áreas mais tensas do conflito. Pelo trabalho militar, o cataguasense recebe salário mensal e bônus por missão cumprida, que podem chegar a R$ 40 mil. Apesar da remuneração, ele deixa claro que sua motivação principal é outra.
“Decidi vir para defender a liberdade da Ucrânia. Essa guerra vai muito além de territórios; ela tem impactos na economia global. E, para mim, também é a realização de algo que sempre gostei: a área militar”, explicou.
Consciente dos perigos que o aguardam, Webert demonstra serenidade ao falar sobre o futuro.
“A guerra acabando, pretendo passear pela Europa e depois voltar para o Brasil. Vim com a consciência tranquila e pensando no presente, porque a volta não é tão certa. Mas, como sempre gostei dessa área, para mim é algo muito importante de se realizar.”
Independentemente das opiniões sobre a guerra, uma certeza une os cataguasenses: o desejo de que Webert Brandon seja protegido em cada missão e possa, em breve, voltar em segurança para casa, abraçar seus pais e recomeçar a vida em sua cidade natal.
Fonte: Marcelo Lopes











