Mulher enterrada viva em Visconde do Rio Branco: Justiça anula absolvição e manda terceiro suspeito a novo júri
Outros dois acusados pelo crime, ocorrido em Visconde do Rio Branco em 2023, continuam presos e cumprem penas que somam mais de 46 anos.
A Justiça de Minas Gerais determinou a realização de um novo julgamento para Pedro Henrique Rocha Gomes, conhecido como “Pedrão”, acusado de participar das agressões contra uma mulher que foi enterrada viva em uma gaveta funerária no Cemitério Municipal de Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata mineira. O caso ocorreu em março de 2023 e ganhou repercussão nacional pela gravidade dos fatos.
Pedro Henrique havia sido absolvido em julgamento realizado pelo Tribunal do Júri em primeira instância. No entanto, após recurso apresentado pelo Ministério Público de Minas Gerais, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) anulou a absolvição ao considerar que a decisão dos jurados contrariou as provas reunidas no processo.
Segundo o acórdão, depoimentos da vítima e de testemunhas indicam a participação direta do acusado nas agressões sofridas pela mulher antes de ela ser levada ao cemitério. Com isso, os desembargadores determinaram que ele seja submetido a um novo Conselho de Sentença. Apesar da decisão, Pedro Henrique seguirá em liberdade até a realização do novo júri. Ele permaneceu preso preventivamente entre abril de 2023 e janeiro de 2025.
Os outros dois réus do processo tiveram as condenações mantidas pelo TJMG. João Luciano da Cunha Souza, conhecido como “Índio”, foi condenado a 23 anos e 6 meses de prisão, além do pagamento de 723 dias-multa. Já Wallace Mateus dos Santos, chamado de “Pangué”, recebeu pena de 23 anos de reclusão em regime inicial fechado e também foi condenado ao pagamento de 723 dias-multa. Ambos cumprem pena na Penitenciária Professor Ariosvaldo Campos Pires, em Juiz de Fora.
A defesa de João Luciano tentou anular o julgamento alegando suposta contradição na decisão dos jurados, mas o pedido foi rejeitado pelo tribunal. Wallace Mateus é representado pela Defensoria Pública, que informou não comentar casos criminais específicos. As defesas dos demais acusados foram procuradas, mas não haviam se manifestado até a última atualização do caso.
De acordo com as investigações da Polícia Civil, os acusados teriam submetido a vítima a ameaças e extorsões entre fevereiro e março de 2023, obrigando-a a armazenar armas e drogas pertencentes ao grupo criminoso. Após o desaparecimento dos materiais ilícitos, os suspeitos passaram a responsabilizar a mulher.
No dia 28 de março de 2023, a vítima foi violentamente agredida com barras de ferro e pedaços de madeira antes de ser levada ao cemitério municipal. Ela foi colocada viva dentro de uma gaveta funerária, que foi fechada com tijolos e cimento.
Horas depois, coveiros perceberam sinais de que o túmulo havia sido recentemente lacrado. Ao ouvirem pedidos de socorro vindos do interior da estrutura, acionaram a Polícia Militar, que realizou o resgate da mulher ainda com vida.
Os três acusados foram indiciados por tentativa de homicídio qualificado, tortura, extorsão, violação de sepultura e associação para o tráfico de drogas.
Fonte: Guia Muriaé, com informações do G1











