Desenrola 3: Governo lança novo programa de renegociação de débitos com foco em dívidas antigas
Nova etapa do programa do governo federal será voltada a débitos antigos de pessoas físicas e deve ter custo estimado de R$ 15 bilhões para a União
O governo federal anunciou nesta sexta-feira (25) uma nova etapa do programa de renegociação de dívidas, batizada de Desenrola 3.0, com a proposta de reduzir o endividamento das famílias brasileiras por meio da compra de débitos antigos junto às instituições financeiras.
A iniciativa prevê que a União adquira carteiras de crédito dos bancos com desconto mínimo de 90%. A expectativa apresentada pelo governo é movimentar aproximadamente R$ 150 bilhões em dívidas, o que representaria metade do estoque considerado elegível para o programa. Para isso, a estimativa é de um desembolso de cerca de R$ 15 bilhões.
Segundo as informações divulgadas pelo governo, poderão participar da operação dívidas de pessoas físicas relacionadas a cartão de crédito e empréstimos pessoais sem desconto em folha, desde que estejam em atraso há pelo menos dois anos e no máximo quatro anos e seis meses. No caso do crédito pessoal, serão considerados débitos de até R$ 10 mil.
O estoque total de dívidas vencidas dentro do universo analisado pelo governo é estimado em cerca de R$ 300 bilhões. As carteiras dos bancos serão ofertadas em leilão, e a operação de aquisição poderá ser conduzida pelo Tesouro Nacional ou por instituições financeiras públicas.
A previsão é que o primeiro leilão seja realizado em novembro de 2026. Após a aquisição, os débitos deverão passar por um processo de reestruturação, permitindo que os consumidores tenham acesso às condições definidas para o pagamento das dívidas.
Nova estratégia
Diferentemente das etapas anteriores do Desenrola, nas quais o consumidor precisava negociar diretamente com os bancos, o novo formato prevê a atuação do governo na aquisição dos créditos. A proposta é reduzir o peso das dívidas sobre o orçamento doméstico e permitir a reorganização financeira dos devedores.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou a iniciativa ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo integrantes do governo, os recursos necessários para a operação deverão ser acomodados no orçamento federal, com previsão de impacto nas despesas de 2027.
O anúncio ocorre após o encerramento de uma etapa anterior do programa de renegociação. Na edição anterior, foram renegociados aproximadamente R$ 28,37 bilhões em dívidas, que correspondiam a um saldo de cerca de R$ 5,71 bilhões após os descontos e acordos.
Apesar dos resultados, dados citados nas informações divulgadas apontam que cerca de três em cada dez operações renegociadas naquela etapa apresentavam parcelas em aberto posteriormente, indicando dificuldades de parte dos consumidores em manter os pagamentos.
Endividamento das famílias
O lançamento do Desenrola 3.0 ocorre em um cenário de elevado nível de endividamento dos consumidores. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apontam que aproximadamente 82% das famílias brasileiras possuíam algum tipo de dívida em 2026.
O levantamento também indicou que cerca de 29,8% dos grupos familiares tinham contas em atraso, enquanto 12,3% declararam não ter condições de quitar os débitos.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também manifestou preocupação com ofertas de crédito que podem levar consumidores a assumir compromissos financeiros acima de sua capacidade de pagamento. A autoridade defendeu maior transparência na contratação de empréstimos e financiamentos, incluindo informações mais claras sobre juros e custo total das operações.
A nova edição do Desenrola, portanto, terá como foco principal consumidores com dívidas antigas, enquanto o governo pretende utilizar a compra dos créditos com desconto elevado como mecanismo para reduzir o estoque de débitos e facilitar a reorganização financeira das famílias.
Fonte: Guia Muriaé











