Super El Niño deve provocar inverno atípico no Brasil, com mais chuva e ondas de frio e calor

Segundo previsão do Climatempo, a primeira onda de frio da estação deve ocorrer entre os dias 22 e 30 de junho. Embora o Sul do país continue registrando baixas temperaturas, o frio não deverá ser tão persistente quanto o observado em maio, devido à maior frequência de chuvas na região.
Além disso, duas intensas massas de ar frio estão previstas para julho, uma na metade e outra no final do mês. Os sistemas devem atingir não apenas os estados do Sul, mas também grande parte do Sudeste e Centro-Oeste, além de áreas do Acre, Rondônia e sul do Amazonas.
Apesar do avanço do El Niño, o inverno também poderá registrar episódios de calor acima da média. As ondas de calor devem se tornar mais frequentes no fim da estação, principalmente no sul e leste do Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, oeste da Bahia, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso.
Em agosto, picos de calor intenso poderão atingir regiões do Centro-Oeste e Sudeste. Já em setembro, o risco de ondas de calor aumenta e passa a influenciar áreas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do país.
Chuvas acima da média
O fortalecimento do El Niño também deverá alterar o regime de chuvas no país. Segundo o meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus, os volumes de precipitação tendem a ficar acima da média em diversas regiões, especialmente no Sul, em São Paulo e em Mato Grosso do Sul.
Toda a região Sul deverá registrar acumulados superiores ao normal para o período, com destaque para o sudoeste do Paraná, onde a chuva poderá ficar muito acima da média histórica.
No Sudeste e Centro-Oeste, regiões que normalmente enfrentam um período seco durante o inverno, a previsão indica vários episódios de chuva atípica ao longo da estação. Ao final do inverno, praticamente todas as áreas dessas regiões deverão apresentar índices pluviométricos ligeiramente acima da média.
Também são esperadas chuvas acima do normal no Acre, em Rondônia e no sul do Amazonas, locais que tradicionalmente registram pouca precipitação nesta época do ano.
Por outro lado, o Nordeste deverá manter o padrão típico de tempo quente e seco. Na faixa litorânea leste da região, as chuvas devem ficar abaixo da média em julho, agosto e setembro.
No extremo Norte do país, estados como Roraima, Amapá, além do norte e noroeste do Amazonas e do norte do Pará, deverão registrar precipitações abaixo do normal durante toda a estação. Já o Tocantins e o leste paraense seguirão com predominância de tempo seco.
Impactos na agricultura
No setor agrícola, a previsão exige atenção dos produtores rurais. Episódios de frio intenso com potencial para geadas amplas no Sul do Brasil são esperados nos primeiros dias do inverno e também ao longo de julho, sem descartar novos eventos em agosto.
No Sudeste, há possibilidade de geadas pontuais, mas sem expectativa de prejuízos significativos para as lavouras.
O aumento da umidade e das chuvas deverá retardar as condições favoráveis à propagação de queimadas. No entanto, o excesso de nebulosidade e precipitação poderá favorecer a proliferação de fungos e doenças nas plantações.
Uma das principais preocupações é a cultura do trigo no Sul do país. O excesso de umidade durante o inverno e o início da primavera pode comprometer a qualidade dos grãos e dificultar a colheita.
A colheita do café também poderá ser afetada pelos dias mais úmidos em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Já a produção de cana-de-açúcar deve enfrentar dificuldades nas operações de corte e moagem em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Especialistas alertam que a evolução do super El Niño continuará sendo monitorada nos próximos meses, uma vez que o fenômeno tem potencial para intensificar ainda mais os impactos climáticos observados durante o inverno e o início da primavera.
Fonte: Guia Muriaé, com informações da CNN











