Ubá decreta estado de emergência para manter obras após chuvas históricas de fevereiro
Medida substitui o decreto de calamidade pública, que venceu neste fim de semana; cidade registrou oito mortes, além de alagamentos e inundações em dezenas de bairros e no comércio local.
Seis meses após a enchente que atingiu Ubá, na Zona da Mata mineira, a Prefeitura decretou situação de emergência nesta segunda-feira (24). A medida foi adotada após o encerramento do período de vigência do decreto de calamidade pública editado em fevereiro, logo depois da tragédia que deixou oito mortos e provocou danos em diferentes pontos do município.
A mudança de classificação permite que a cidade continue buscando recursos dos governos estadual e federal para as ações de reconstrução. Segundo a Defesa Civil municipal, a situação atual está relacionada aos efeitos ainda existentes do desastre, e não à ocorrência de uma nova emergência.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Ubá, Anderson Almeida, o município recuperou parte da capacidade de administrar os impactos da enchente, mas ainda necessita de apoio para concluir as obras.
Reconstrução segue em diferentes pontos
Até agosto, 16 obras de reconstrução estavam em andamento na cidade. Entre as principais intervenções está a recuperação do Calçadão Deputado Ibrahim Jacob, na Rua São José, que prevê a substituição do piso e a ampliação da canaleta central para melhorar o escoamento da água da chuva.
Para financiar as obras, o município solicitou R$ 60 milhões ao governo federal. Desse total, R$ 45 milhões já foram liberados, enquanto outros R$ 15 milhões ainda são aguardados.
Também estão em execução serviços relacionados à rede de água e esgoto, instalação de guarda-corpos, construção de muros de gabião para contenção de encostas e recuperação do calçamento da avenida Beira-Rio.
Pontes destruídas
A reconstrução das pontes afetadas pela enxurrada também avançou. O projeto executivo da Ponte da Fazendinha já foi encaminhado ao governo, e os recursos necessários para que o município inicie o processo de licitação foram disponibilizados.
Já o projeto de engenharia da Ponte Major Siqueira, na Avenida Cristiano Roças, estava em fase final de elaboração. A administração municipal aguardava a formalização do convênio para o repasse dos recursos e o início dos trabalhos.
Chuva provocou oito mortes
A tragédia ocorreu entre a noite de 23 e a madrugada de 24 de fevereiro, quando foram registrados aproximadamente 170 milímetros de chuva em menos de quatro horas.
O volume fez o Rio Ubá subir quase oito metros, provocando alagamentos e inundações em diversos bairros e na região comercial.
A força da água provocou o desabamento de três imóveis na Avenida Cristiano Roças e de uma residência na Rua da Harmonia. Três pontes foram completamente destruídas: a Major Siqueira, a da Rua dos Viajantes e a da Rua Nossa Senhora Aparecida.
Oito pessoas morreram após serem arrastadas pela correnteza. Entre elas estava Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos, cujo corpo foi localizado somente 22 dias após a enchente.
Um dos episódios que marcaram a tragédia foi o resgate de Edna Almeida, que permaneceu agarrada a um poste durante cerca de três horas em meio à enxurrada. Ela estava em casa com Luciano e o filho quando a força da água rompeu o terreno localizado às margens do rio e invadiu o imóvel.
Fonte: Guia Muriaé, com informações do G1











