A memória pode ser prevista por um teste de saliva? Novo estudo indica que sim; entenda
Pesquisa realizada na Espanha indica que relação entre progesterona e estradiol pode ajudar a prever desempenho em tarefas de memória e até otimizar tratamentos para transtornos de ansiedade
Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Neurociências da Universidade Autônoma de Barcelona revelou que a proporção entre os hormônios progesterona e estradiol pode desempenhar papel importante na capacidade de aprendizagem e memória. A pesquisa, publicada na revista científica Neurobiology of Stress, também contou com a participação de especialistas do Instituto de Pesquisa do Hospital del Mar.
Segundo os cientistas, a análise dos níveis hormonais por meio da saliva foi capaz de prever o desempenho dos participantes em tarefas relacionadas à memória, especialmente aquelas ligadas à superação de experiências negativas e ao aprendizado de novas associações.
O estudo foi realizado com camundongos e voluntários saudáveis, incluindo homens, mulheres com ciclo menstrual natural e mulheres que utilizavam contraceptivos orais. Durante o experimento, os participantes passaram por um processo conhecido como condicionamento do medo, no qual um estímulo neutro era associado a uma experiência desagradável.
No dia seguinte, os pesquisadores avaliaram a capacidade dos participantes de deixar de associar aquele estímulo ao evento negativo, processo conhecido como extinção do medo. Essa habilidade é considerada fundamental para a adaptação emocional e para a formação de novas memórias.
Utilizando técnicas avançadas de análise hormonal e ferramentas de inteligência artificial, a equipe concluiu que o fator mais relevante não era a quantidade isolada de cada hormônio, mas sim a relação entre eles. Os resultados mostraram que uma proporção mais elevada de progesterona em relação ao estradiol estava associada a um melhor desempenho na extinção do medo, tanto em humanos quanto em animais.
De acordo com os autores, a descoberta pode ter aplicações práticas em situações do cotidiano, como a organização de períodos de estudo e aprendizagem, além de contribuir para o aprimoramento de tratamentos psicológicos voltados a transtornos relacionados à ansiedade e ao trauma.
Os pesquisadores também observaram que, entre as mulheres, o desempenho em tarefas de memória apresentou melhores resultados no final da fase folicular do ciclo menstrual, período que antecede a ovulação e que, segundo os cientistas, oferece um ambiente hormonal mais favorável para a formação de novas memórias.
Outro aspecto destacado pelo estudo é que a influência da relação entre progesterona e estradiol não se restringe às mulheres. Embora em concentrações diferentes, ambos os hormônios também estão presentes nos homens, e o padrão observado foi semelhante entre os sexos.
A equipe responsável pela pesquisa afirma que os próximos passos incluem a realização de estudos com grupos maiores e mais diversificados para confirmar os resultados. A expectativa é que, no futuro, o conhecimento sobre essa interação hormonal contribua para o desenvolvimento de tratamentos mais personalizados para transtornos como fobias, síndrome do pânico e transtorno de estresse pós-traumático.
Fonte: Guia Muriaé, com informações do Jornal O Globo











