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Coluna da Seliane Ventura – Depressão infantil: sim, existe

Quantas vezes ouvimos falar que a depressão é um “Mal do século”? Várias vezes e realmente vemos muitos casos de pessoas depressivas, o que é um alerta para a sociedade.

Mas a depressão não atinge somente adultos, ela também atinge crianças e pode trazer prejuízos para seu desenvolvimento. Temos que estar atentos aos sinais para verificar as diferenças entre uma tristeza passageira e um adoecimento real.

A depressão infantil é um transtorno do humor, também chamado de transtorno afetivo, que pode atingir crianças de todas as idades causando vários comprometimentos, diminuindo o prazer na realização de atividades do dia a dia, assim como atividades escolares e esportivas (lazer), interferindo nos vínculos de amizade, e em seu amadurecimento.




A depressão vai além da tristeza normal, chamada passageira, escondendo sentimentos depressivos severos, se manifestando de várias formas como estar sempre aborrecido, uma irritação constante, agressividade, falta de emoções, fraqueza muscular, lentidão física ou agitação, muito choro, insônia ou sono excessivo, mudança de peso (ganho ou perda, depende da criança), sentimento de inutilidade ou culpa sem motivo, sentimento de inferioridade, dificuldade para tomar decisões de raciocínio ou concentração, sentimentos pessimistas e em casos mais graves, pensamentos suicidas.

De acordo com o DSM-IV, para se diagnosticar a depressão, a criança deve apresentar cinco ou mais sintomas durante duas semanas consecutivas. Lembrando que, se isso acontecer, deve-se levar à criança ao médico para que o mesmo possa dar o diagnóstico. Não podemos nos apegar ao “achismo”.

Segundo o compêndio de psiquiatria, não existe uma causa única para a depressão. Ela surge de uma combinação de fatores: genéticos, biológicos e sociais.




Os Fatores Genéticos estão relacionados às famílias que apresentam alterações psiquiátricas, sendo que ter um dos pais depressivos aumenta a possibilidade da criança manifestar esse transtorno e quando ambos os pais apresentam a doença, a probabilidade aumenta em quatro vezes. Os Fatores Biológicos correspondem às doenças orgânicas, como anemia, hipotireoidismo, diabetes, infecções, entre outros. Crianças depressivas produzem mais hormônio do crescimento durante o sono, do que crianças normais. Já os Fatores Sociais se referem à Pais estressados ou deprimidos, lares instáveis, conflitos familiares, situação financeira da família, separação ou divórcio dos pais podem repercutir psicologicamente na criança, influenciando no seu humor.

Alguns fatores ambientais também podem favorecer o adoecimento, como uma resolução inadequada do luto de pessoas queridas e próximas, o trauma por presenciar desastres (principalmente os que envolvem entes queridos), mudar de escola ou cidade de forma abrupta rompendo os laços em construção, além de abusos sexuais (pedofilia, incesto) e/ou psicológicos, exemplo: o bullying.




É importante, para um diagnóstico correto, ir além dos motivos apresentados pelos pais e/ou cuidadores. É necessário uma investigação da história de vida da criança e todo o ambiente e que ela está inserida, seja familiar, escolar e social. Exames psicológicos também são importantes para esse diagnóstico, levando sempre em conta a fase de desenvolvimento e idade.

Após o diagnóstico, os tratamentos são psicoterapias e medicamentos, dependendo dos casos (cada caso tem suas particularidades). Dentre as terapias, podem ser psicoterapia individual ou familiar, terapias comportamentais, mas a psicanálise também pode ser utilizada. Sempre levando em conta a idade e grau de desenvolvimento das crianças e adolescentes.

Não trago esse assunto para criar paranoias nos papais e sim para esclarecer algumas dúvidas e mostrar as diferenças entre uma tristeza e uma melancolia profunda. Não vamos adoecer nossos pequenos, mas também não podemos ignorar os sinais quando eles existem.

Amor e cuidado são essenciais no desenvolvimento dos nossos pequenos!

Fontes: Compêndio de Psiquiatria, DSM-IV, entre algumas outras literaturas

Autora: Seliane Ventura – Psicóloga CRP 04/40269 – Psicóloga Clínica e Organizacional, com extensão em Psicologia Hospitalar pela Fundação de Apoio ao Hospital Universitário de Juiz de Fora

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