Coluna do Carlos Cerqueira – Ervas diferentes na espécie e semelhantes na terapêutica

O Cymbopogon citratus, conhecido entre outros nomes populares, por capim-limão e capim-cidreira, como próprio nome diz, tem suas folhas em forma de capim e cheiro de limão. É uma espécie originária da Índia, se adaptou bem quando foi implantado no Brasil, provavelmente no período colonial, porém umidade em excesso bem como solos demasiadamente secos são impróprios ao seu cultivo. Seu uso é amplamente difundido de norte a sul do país na forma de chá, sendo possuidor de aroma e gosto muito agradáveis.

A planta contém menos de 0,5 % de óleo essencial, o qual é muito utilizado em perfumaria para produção de b-ionona (aroma de violetas), na síntese de vitamina A e como anti-séptico, por sua ação antifúngica e antimicrobiana, sendo composto principalmente por citral, ao qual é atribuída a ação calmante e espasmolítica (elimina espasmos), e também por mirceno, princípio ativo de ação analgésica. Devido a estas inúmeras aplicações do seu óleo, este tem procura no mercado nacional e internacional, e seus preços têm sido considerados compensadores, embora a produção por hectare da erva seja baixa, comparada a outras gramíneas aromáticas.

Segundo o professor dr. Francisco Matos, saudoso farmacêutico da Universidade Federal do Ceará, o chá é empregado para o alívio de pequenas crises de cólicas uterinas e intestinais, assim como no tratamento do nervosismo e estados de intranqüilidade, todos esses efeitos farmacologicamente comprovados. Por sua ação diurética, é utilizado também como hipotensor. Uma preparação saborosa e que tem os mesmos efeitos do chá, é o refresco de algumas folhas cortadas em pedaços menores e trituradas em liquidificador, juntamente com o suco de quatro a seis limões em um litro d`água, mas deve-se coar bem para evitar o risco de que micro-fragmentos da folha causem pequenas lesões nas mucosas do aparelho digestivo. Uma variedade da espécie é conhecida popularmente como citronela, sendo muito utilizada como repelente de insetos.

Outras plantas que são muito confundidas com o capim-cidreira, não pela aparência, mas por apresentarem em algumas regiões o mesmo nome, são a erva-cidreira ou melissa (Melissa officinalis) e a erva-cidreira-do-campo (Lippia alba). Apesar de serem de espécies e gêneros diferentes, possuem propriedades medicinais e alguns princípios ativos em comum.

A melissa é uma erva perene (designação botânica dada às espécies vegetais cujo ciclo de vida é longo) nativa da Europa e Ásia, não chegando a um metro de altura. O chá das folhas e influorescências é muito utilizado como calmante nos casos de ansiedade e insônia, outros usos são no tratamento contra má digestões, gripe, bronquite, cefaléias, enxaqueca, dores de origem reumática, segundo (Simões, 1998). Os seus taninos diferem dos normalmente encontrados em outras plantas, tendo atividade forte ação antiviral, principalmente sobre o Herpes simplex (causador da herpes labial) de acordo com (Dorer, 1985). Seu óleo essencial é rico em linalol (princípio ativo utilizado por pesquisadores japoneses na forma de inalação com resultados anti-estresse comprovados). O professor Matos confirmou que a composição do dito óleo é semelhante até certo ponto, ao de um dos quimiotipos da Lippia alba, nossa outra erva cidreira.

Esta última é nativa do Brasil, sendo usada em praticamente todo o território nacional, chegando a atingir até dois metros de altura, tendo também, assim como o capim- limão, ação calmante e espasmolítica, devido aos mesmos citral e mirceno encontrados na referida planta. Existe ainda, em algumas variedades da erva-cidreira-do-campo, uma atividade mucolítica, ou seja, tem a capacidade de liberar as secreções estagnadas nos brônquios, motivo pelo qual na tradição popular é utilizada para o tratamento da asma e da bronquite. Além disso, é muito usada para aliviar cólicas uterinas e hipertensão, e ainda para estimular o apetite.

Apesar de espécies diferentes, o povo não se enganou em batizar esses vegetais por nomes iguais ou semelhantes, haja visto suas propriedades terapêuticas também semelhantes em muitos pontos.

Autor: Carlos Cerqueira Magalhães – Farmacêutico, M.e em Ciências Farmacêuticas (Produtos Naturais Bioativos) pela UFJF


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