Pesquisadoras identificam novas espécies de plantas nos Campos Rupestres de Minas Gerais

Uma tese defendida na UFV identificou sete novas espécies do gênero “Mimosa” em Minas Gerais. As plantas deste gênero, que faz parte da família Leguminosae, têm grande potencial econômico em espécies medicinais, madeireiras e forrageiras. Embora tenham sido consideradas invasoras de plantios comerciais, se associam a bactérias fixadoras de nitrogênio e são importantes na recuperação de solos e áreas degradadas. A identificação de novas espécies é o primeiro passo para entender sua importância no meio ambiente e permitir novos estudos envolvendo as plantas.

A quantidade de espécies encontradas surpreendeu a então estudante de doutorado, Valquíria Dutra e sua orientadora Flávia Garcia, professora do programa de Pós-graduação em Biologia Vegetal da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Para coletar as plantas, Valquíria, que agora é professora da Universidade Federal do Espírito Santo, percorreu mais de 30 mil quilômetros, dando uma grande contribuição para o conhecimento da biodiversidade da flora rupestre de Minas Gerais.

Os Campos Rupestres apresentam grande diversidade de espécies e alta taxa de endemismos, ou seja, possuem espécies específicas desse bioma. Lá, foram encontradas 75 espécies de Mimosa. Dessas, 30% são endêmicas e pelo menos 17 estão incluídas na Lista Vermelha das espécies que correm algum perigo de extinção.

O trabalho das pesquisadoras, que originou a tese de doutorado de Valquíria, foi concluído em 2009, mas só agora ganhou notoriedade com a publicação das espécies novas em revistas científicas internacionais (Systematic Botany, Kew Bulletin e Brittonia). Os trabalhos também ganharam evidência porque uma das espécies encontradas recebeu o nome de ”Mimosa mitzi”, em homenagem a Mitzi Brandão, ex-pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais e uma das maiores botânicas do estado. “A homenagem é muito justa porque Mitzi Brandão foi uma das maiores botânicas do estado, coletando especialmente plantas do Cerrado. Foi ela também que, em 1993, coletou o material utilizado para a descrição desta espécie e, apesar dos esforços de coleta da Valquíria, a espécie não foi mais localizada na natureza, podendo estar em perigo de extinção”, disse a professora Flávia.

A professora da UFV explica ainda que a maior causa de extinção destas espécies é a perda de seu hábitat, pois são restritas aos Campos Rupestres, um ecossistema frágil, de difícil recuperação e que tem sofrido com a ação desenfreada das mineradoras. Segundo ela, “este tipo de trabalho identifica as áreas de maior biodiversidade dos biomas de Minas Gerais e indica quais são as áreas prioritárias para a preservação”.

Fonte: Léa Medeiros / UFV


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