Personalidades de Muriaé – Itamar Magalhães

Itamar Magalhães nasceu na Fazenda da Barra, no distrito de Santa Rita do Glória, hoje Miradouro, em 20 de maio 1898. Esta fazenda era de propriedade do Coronel Izalino e nela havia escola, banda de música e até uma tipografia que imprimia semanalmente um jornal chamado “O Brinquedo”. Foi nesta tipografia que Itamar iniciou sua brilhante carreira autodidata.

Aos 15 anos mudou-se para a sede do município de Muriaé, empregando-se no jornal A Renascença, onde aprimorou-se nos segredos do jornalismo com pessoas de renome como o Dr. José Eutrópio, Dr. Waldemar Pequeno, o poeta Otávio Lacerda, Orlando de Lima Faria, Cel. José Pacheco de Medeiros, Adolfina Gusman, Dr. Moretzshon e outros.

De ajudante na redação, aos poucos foi revelando o enorme talento para as letras e poucos anos depois abre a Casa Magalhães, misto de papelaria e gráfica. Em 1918 torna-se editor do jornal O Operário, órgão que combatia a violenta administração municipal. Sabia que punha assim em risco a sua oficina, pois outros jornais já haviam sido “empastelados” por fazerem oposição à política oficial. O “empastelamento” consistia na invasão da oficina durante a noite e a derrubada ao chão de todas as letras de chumbo que se utilizava para compor as palavras do jornal. Com as letras todas misturadas impossibilitava-se a confecção de outro jornal por muitos dias. Mas Itamar não se intimidou. Sempre entusiasta, inteligente e trabalhador, Itamar de vez em quando, com o pseudônimo de Mister Yoso, sacudia a situação com um artigo bem lançado e destemido, analisando a vida política, ou dando um furo sensacional. Aos vinte anos já era um moço cuja coragem, cujo caráter, ação e honestidade serviam de exemplo aos seus pares.

Em sua tipografia imprimiam-se vários jornais da cidade, inclusive “A Brisa” – o menor humorístico da cidade, dirigido pela menina Maria Aparecida Silva Magalhães, sua filhinha. A tipografia depois se instalou na Praça João Pinheiro.

Em 1943 assume a redação do jornal Gazeta de Muriaé, tendo como diretor seu amigo e patrão o prefeito Geraldo Starling. Aí permanece até 1945 quando o jornal interrompe suas atividades. Em 1952 reabre A Gazeta, agora no cargo de diretor, onde permanece até o fim de 1953. A partir daí permanece apenas como colaborador por mais alguns anos. Escrevia a coluna Minha Opinião, onde, com firmeza e elegância, sabia expor as suas idéias, apontando soluções convincentes na defesa dos mais elevados princípios do direito, da razão e dos mais reconhecidos padrões cívicos. Seu artigos, crônicas e editoriais refletiam o melhor do seu caráter, pois se baseavam sempre nos bons ensinamentos e nas boas causas, e revelavam o valor de sua inteligência aliada aos elevados princípios que o nortearam por toda vida.

Em 1928 foi empossado secretário da Câmara Municipal e em 1930 aparece como coletor da prefeitura. Passa depois para o cargo de secretário da prefeitura, cargo este em que permaneceu por muitos anos servindo a vários prefeitos que viam nele um braço direito. Nesta função sua atuação se fez sentir como das mais nobres e eficientes, atendendo a todos com a sua proverbial cordialidade, solucionando casos difíceis, satisfazendo as partes com habilidade e justiça.

Cultuava a boa música sendo exímio flautista e compositor. Era também poeta tendo publicado 2 livros (Samburá I e II), sendo membro da Academia de Letras de Londrina e grande conhecedor da história de Muriaé. Foi um grande incentivador da implantação da Biblioteca Pública Municipal.

Foi provedor do Hospital São Paulo, de 1957 a 1962, cargo ao qual se dedicava com especial interesse, apesar de sacrificá-lo nos seus inúmeros afazeres. Em sua gestão conseguiu erguer o bloco cirúrgico, melhoramento de fundamental importância para a saúde da população.

Em 1965 é empossado como diretor da Companhia Telefônica de Muriaé. Além de todas estas atividades era também proprietário rural possuindo 31 alqueires em Miradouro e Limeira.

Era casado com Leonor Magalhães com quem teve cinco filhos: Aparecida, Mendelson, Mirtô, Terezinha e Marília.

Mudou-se para Londrina no estado do Paraná em 1976 onde veio a falecer, com 92 anos, em 27 de março de 1991.

Pela Lei nº 1.673 de 1992 foi criada a Rua Itamar Magalhães no Bairro Inconfidência II.

Fonte: João Carlos Vargas e Flávia Alves Junqueira / Memorial Municipal


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